O crescimento das importações de produtos chineses voltou ao centro do debate econômico brasileiro após o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), José Velloso, afirmar que a chamada “invasão chinesa” no mercado nacional representa um problema mais grave para a indústria do país do que o novo pacote de tarifas adotado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
Segundo o dirigente, a entrada crescente de manufaturados chineses caracteriza um desafio estrutural para o setor produtivo, devido ao aumento da participação da China no mercado interno e ao que classificou como uma “desova” de mercadorias, ampliando a concorrência sobre a indústria nacional.
Dados do relatório DHL E-Commerce Trends Report 2026 mostram que a China continua sendo, de longe, a principal origem das compras internacionais realizadas pelos brasileiros.
De acordo com o levantamento, 82% dos consumidores que compram produtos no exterior adquirem mercadorias vindas da China. Em seguida aparecem os Estados Unidos, com 56%, e a Argentina, com 11%.
O estudo também coloca o Brasil como o terceiro maior mercado consumidor de produtos chineses, atrás apenas da Tailândia (95%) e da Malásia (87%).
Entre os principais fatores apontados pelos consumidores para optar pelos produtos chineses estão:
- preços mais competitivos, citados por 62% dos entrevistados;
- baixa disponibilidade de determinados produtos no mercado brasileiro, mencionada por 42%.
Debate ocorre em meio ao tarifaço dos Estados Unidos
As declarações da ABIMAQ acontecem em um momento de aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) uma nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros. A medida foi adotada após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
Segundo o governo dos Estados Unidos, questões relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes, pirataria, etanol e desmatamento ilegal motivaram a adoção da medida.
Durante as negociações, representantes brasileiros classificaram as exigências norte-americanas como desfavoráveis para a indústria e o agronegócio do país e relataram dificuldades para avançar nas tratativas devido à falta de clareza sobre as demandas apresentadas pelos EUA.
Em resposta às novas tarifas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a decisão representa um marco negativo nas relações comerciais entre os dois países.








