O Japão realizará nesta quarta-feira (10) um dos lançamentos espaciais mais importantes de seu programa aeroespacial recente. A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) programou para a manhã o lançamento da sexta unidade do foguete H3, modelo considerado estratégico para o futuro das missões espaciais do país.
A decolagem está prevista para ocorrer às 9h53min59s (21h53 no horário de Brasília), a partir do Centro Espacial de Tanegashima, na província de Kagoshima, no sudoeste japonês. A operação é acompanhada com atenção por cientistas e engenheiros, especialmente porque representa uma oportunidade de comprovar as correções implementadas após a falha registrada em uma missão anterior.
O lançamento utilizará uma versão inédita do H3, denominada Tipo 30. Diferentemente dos modelos anteriores, o foguete não contará com propulsores sólidos auxiliares, tornando-se o primeiro grande lançador japonês movido exclusivamente por motores de combustível líquido.
Para compensar a ausência dos foguetes auxiliares, a nova configuração recebeu três motores principais no primeiro estágio, um a mais do que nas versões anteriores.
A missão terá caráter experimental e, por isso, não transportará um grande satélite operacional. Em seu lugar, o foguete levará uma carga simulada destinada a testar o desempenho do veículo, além de seis pequenos satélites desenvolvidos por universidades e instituições de pesquisa.
Correções após fracasso em 2025
A expectativa em torno da missão aumentou após o revés enfrentado pela JAXA em dezembro de 2025.
Na ocasião, um foguete H3 decolou transportando o sexto satélite do sistema japonês de posicionamento por satélite Quasi-Zenith, conhecido como Michibiki. Embora o lançamento inicial tenha ocorrido normalmente, o segundo estágio do foguete desligou seus motores antes do previsto, impedindo que a carga fosse colocada em órbita.
O sistema Quasi-Zenith é considerado fundamental para o Japão, pois complementa os serviços globais de navegação por satélite e fornece localização de alta precisão para smartphones, sistemas automotivos e outras aplicações tecnológicas, inclusive em áreas urbanas densas e regiões montanhosas.
Após a falha, a agência espacial iniciou uma ampla investigação para identificar as causas do problema.
Mudanças foram realizadas no foguete
Segundo a JAXA, uma das modificações mais importantes foi realizada na estrutura responsável pelo suporte da carga útil, considerada um dos fatores ligados ao fracasso da missão anterior.
O novo foguete recebeu sensores adicionais para monitorar vibrações e cargas mecânicas durante o voo. Os dados coletados servirão para confirmar se as hipóteses levantadas durante a investigação estavam corretas e se as alterações implementadas foram suficientes para eliminar os riscos identificados.
Os engenheiros também utilizarão a missão para avaliar o desempenho geral da nova configuração do H3 e verificar sua viabilidade para futuras operações comerciais e científicas.
Projeto é peça-chave para o programa espacial japonês
O foguete H3 foi desenvolvido para substituir gradualmente modelos mais antigos e reduzir os custos de acesso ao espaço. O projeto é visto pelo governo japonês como essencial para aumentar a competitividade do país no mercado internacional de lançamentos espaciais.
Antes da falha de dezembro, o programa já havia enfrentado outros contratempos, incluindo adiamentos provocados por problemas técnicos no sistema de lançamento, em equipamentos do foguete e em instalações terrestres.
Agora, a missão desta quarta-feira é considerada um teste decisivo para demonstrar a confiabilidade do H3 e consolidar o papel do Japão entre as principais potências espaciais do mundo.




