Uma operação que parece saída de um filme histórico chamou a atenção no Japão. Cerca de 1.800 pessoas participaram da movimentação de uma torre de aproximadamente 360 toneladas do Castelo de Hirosaki, na província de Aomori, utilizando cordas e força humana para deslocar a estrutura pouco mais de dois metros em direção ao local onde ela foi originalmente construída.
A operação emprega uma antiga técnica japonesa de movimentação de edifícios conhecida como hikiya, que permite deslocar construções inteiras sem desmontá-las. A torre de três andares foi colocada sobre roletes e trilhos, enquanto grupos de voluntários se revezaram para puxá-la com grandes cordas.
O deslocamento faz parte de um projeto de restauração iniciado há anos e busca devolver a construção ao complexo histórico do castelo.
Torre foi construída em 1810
A estrutura atualmente possui três andares e foi originalmente construída em 1810. Ela é uma das apenas 12 torres originais de castelos japoneses que permanecem de pé.
A história da construção, porém, é ainda mais antiga. A torre chegou a ter cinco andares, mas os dois superiores foram destruídos após ser atingida por um raio.
Em 2015, a torre foi retirada de sua posição original para permitir a realização de uma extensa obra de recuperação das estruturas de pedra que formavam sua base. O trabalho, considerado na época um dos maiores projetos de restauração do país, chegou a ser chamado de “projeto do século”.
A previsão inicial era concluir a recuperação da fundação em 2023. No entanto, novos pontos frágeis foram encontrados durante as intervenções, prolongando os trabalhos. A restauração foi finalmente concluída em 2024, abrindo caminho para o retorno da torre.
Técnica tradicional substitui máquinas na primeira etapa
Em vez de desmontar a construção ou utilizar diretamente equipamentos pesados, a cidade decidiu recorrer novamente ao hikiya, método tradicional japonês empregado há séculos para deslocar edificações.
A técnica consiste em apoiar a estrutura sobre elementos que permitem seu deslocamento e utilizar cordas para conduzi-la lentamente até a posição desejada. A escolha também está relacionada ao fato de a torre ser considerada um importante patrimônio cultural nacional, o que impede que ela seja simplesmente desmontada para ser transportada.
Na operação realizada recentemente, os participantes utilizaram cordas de aproximadamente 30 metros de comprimento. Os voluntários foram divididos em grupos de cerca de 80 pessoas, que se revezaram durante o esforço.
O resultado foi um deslocamento de 2,22 metros em dois dias. No primeiro dia, a torre avançou 1,13 metro. No segundo, percorreu mais 1,09 metro.
Mais de 4 mil pessoas devem participar
A movimentação não termina nos pouco mais de dois metros já percorridos. A operação voluntária continuará ao longo do restante do mês.
A expectativa é que aproximadamente 4.100 pessoas participem das diferentes etapas do processo, levando a torre a um deslocamento total de cerca de cinco metros por meio do esforço humano.
Depois dessa primeira fase, entretanto, o restante do percurso será realizado com auxílio de máquinas. A torre ainda precisará percorrer aproximadamente 73 metros até chegar à posição definitiva, com a conclusão de toda a movimentação prevista para antes do fim do ano.
A iniciativa recupera uma técnica tradicional e, ao mesmo tempo, transforma a restauração em uma atividade comunitária, permitindo que moradores participem diretamente da preservação de um dos símbolos históricos da região.











