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Judeu que fez a vida no Brasil revela que escapou do campo de concentração duas vezes

Por Pedro Silvini
20/07/2026
Em Geral
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judeu nazista

Foto: (Reprodução/Arquivo Pessoal)

A história de Gabriel Waldman reúne episódios marcantes da Segunda Guerra Mundial, da imigração para o Brasil e de uma descoberta que transformou sua vida décadas depois. Nascido na Hungria em 1938, em uma família judaica, ele sobreviveu às perseguições nazistas, escapou da morte em diferentes momentos durante a infância e, já adulto, descobriu que seu ex-sogro era Franz Paul Stangl, comandante dos campos de extermínio de Sobibor e Treblinka, responsável por centenas de milhares de assassinatos durante o Holocausto.

A revelação aconteceu em 1967, quando Gabriel leu no jornal a notícia da prisão de Stangl no Brasil, acusado de crimes de guerra.

Gabriel nasceu poucos meses antes do início da Segunda Guerra Mundial e cresceu em meio ao avanço do nazismo sobre a Hungria. Segundo relato, a família convivia diariamente com três ameaças: a perseguição aos judeus promovida pelos nazistas, a fome e o frio extremos provocados pela guerra e os bombardeios que atingiam Budapeste durante os confrontos entre tropas alemãs e soviéticas.

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Ele recorda que sobreviver parecia um milagre diante da violência constante. Entre as lembranças mais marcantes está o momento em que sua mãe precisou escolher entre o risco de uma pneumonia ou o perigo do tifo, doença transmitida por piolhos. Em um abrigo improvisado, durante um inverno de aproximadamente 20 graus negativos, ela o lavou com água gelada para evitar a infecção, decisão que, segundo Gabriel, acabou salvando sua vida.

Outro episódio ocorreu após a libertação de Budapeste pelas tropas soviéticas. Sem alimentos, sua mãe viajou sobre o teto de um trem até o interior da Hungria para trocar objetos de valor por comida, enfrentando ataques aéreos, frio intenso e os perigos da guerra. Ela conseguiu retornar com alimentos suficientes para manter a família viva.

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Fuga do regime comunista

O fim da Segunda Guerra não significou o encerramento das dificuldades. Com a consolidação do regime comunista na Hungria, Gabriel afirma que novas restrições passaram a fazer parte da rotina da família.

Ele conta que, apesar do bom desempenho escolar, deixou de receber as melhores notas após professores serem orientados a limitar o desempenho de filhos de famílias consideradas burguesas. Seu pai, advogado morto durante o período nazista, era enquadrado nessa categoria pelo novo regime.

Diante da perda de liberdades e da perseguição política, a família decidiu deixar a Hungria e reconstruir a vida em outro país, iniciando uma nova trajetória que mais tarde o levaria ao Brasil.

Descoberta surpreendente no Brasil

Já estabelecido em São Paulo, Gabriel aprendeu alemão e iniciou um relacionamento com uma jovem alemã chamada Ingrid. Os dois permaneceram juntos por cerca de um ano, mas o namoro terminou de forma inesperada, sem que ele entendesse os motivos.

Cerca de dez anos depois, ao abrir um jornal em fevereiro de 1967, Gabriel se deparou com a manchete informando a prisão, em território brasileiro, de Franz Paul Stangl.

Ao reconhecer a fotografia, percebeu que o homem acusado de comandar os campos de extermínio de Sobibor e Treblinka era justamente o pai de sua ex-companheira.

Segundo ele, foi nesse momento que compreendeu por que o relacionamento havia terminado de maneira repentina. Até então, jamais imaginara que a pessoa que frequentava almoços em família e o tratava cordialmente era um dos principais responsáveis pela morte de aproximadamente um milhão de pessoas durante o Holocausto.

A prisão de Franz Stangl no Brasil integrou os esforços internacionais para responsabilizar dirigentes do regime nazista por crimes cometidos durante a Segunda Guerra Mundial.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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