O governo federal determinou a expulsão do cidadão russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, condenado no Brasil por uso de documentos falsos e apontado por autoridades internacionais como agente de inteligência da Rússia. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e estabelece que ele será impedido de retornar ao território brasileiro por um período de 30 anos, contado a partir da efetivação da expulsão.
Apesar da medida administrativa, Cherkasov não deixará o país de forma imediata. A expulsão somente poderá ser executada após o cumprimento da pena imposta pela Justiça brasileira ou caso haja uma eventual liberação antecipada pelo Poder Judiciário.
Preso desde 2022, o russo está custodiado na Penitenciária Federal de Brasília, de segurança máxima. Ele foi condenado por falsidade ideológica após utilizar documentos brasileiros falsos com a identidade de “Victor Muller”, também identificado em investigações internacionais como Victor Ferreira, para construir uma falsa nacionalidade brasileira.

Caso provocou disputa internacional e reação dos Estados Unidos
A decisão brasileira provocou reação do governo dos Estados Unidos. Em nota divulgada pelo Departamento de Estado, Washington afirmou estar “profundamente preocupado” com a possibilidade de Cherkasov deixar o Brasil e retornar à Rússia.
Segundo o governo norte-americano, a medida pode enfraquecer os esforços conjuntos para combater operações de inteligência estrangeira e proteger instituições democráticas. Os EUA também defenderam que o Brasil considere os impactos da decisão e mantenha cooperação internacional para responsabilizar pessoas consideradas ameaças à segurança coletiva.
O caso se tornou alvo de disputa diplomática desde a prisão do russo. Tanto os Estados Unidos quanto a Rússia apresentaram pedidos de extradição às autoridades brasileiras, cada um sustentando versões diferentes sobre a identidade e a atuação de Cherkasov.
Identidade falsa foi construída durante mais de uma década
De acordo com investigações da Polícia Federal, do FBI e de autoridades da Holanda, Cherkasov viveu durante cerca de 12 anos utilizando uma identidade brasileira fictícia.
Com essa documentação, estudou Ciência Política no Trinity College, na Irlanda, entre 2015 e 2018, e posteriormente cursou Relações Internacionais na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, sempre apresentando-se como brasileiro.
Em abril de 2022, ele tentou ingressar na Holanda para atuar junto ao Tribunal Penal Internacional (TPI), sediado em Haia, mas foi barrado pelas autoridades holandesas, que o identificaram como suposto agente do serviço de inteligência militar russo (GRU). Após a negativa de entrada, foi deportado para o Brasil, onde acabou preso.
Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Federal e por autoridades internacionais, não foram encontradas evidências de que Cherkasov tenha realizado atividades de espionagem contra o Brasil.
A suspeita é de que sua identidade brasileira tivesse como objetivo facilitar operações de inteligência voltadas principalmente aos Estados Unidos e países da Europa. O próprio acusado, no entanto, continua negando ser agente do governo russo.



