O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia a partir de amanhã (16), uma viagem oficial à Europa com uma ampla comitiva ministerial e objetivos que vão além da diplomacia tradicional. Entre os dias 17 e 21 de abril, o chefe do Executivo visitará Espanha, Alemanha e Portugal, em uma agenda voltada à ampliação de parcerias estratégicas e ao reposicionamento do Brasil no cenário internacional.
A viagem ocorre em um momento de avanço nas negociações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia, com expectativa de assinatura de mais de 30 acordos. Segundo o Palácio do Planalto, a iniciativa busca impulsionar a reindustrialização brasileira e fortalecer a presença do país em setores de alta tecnologia.
O primeiro compromisso será em Barcelona, onde Lula participará da 1ª Cúpula Brasil-Espanha, a convite do primeiro-ministro Pedro Sánchez. O encontro deve abordar temas como multilateralismo, direito internacional e soluções pacíficas de conflitos, além de incluir reuniões ministeriais e assinatura de acordos bilaterais.
Na capital catalã, o presidente também participa de um fórum internacional sobre democracia, criado em parceria com Sánchez, que reunirá líderes globais para discutir o combate ao extremismo, desinformação e desigualdades. O evento deve contar com a presença de chefes de Estado como Gustavo Petro e Cyril Ramaphosa.
Alemanha e protagonismo industrial
Na sequência, a comitiva segue para Hannover, na Alemanha, onde o Brasil será o país-parceiro da Hannover Messe, considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo. A participação brasileira no evento reforça a estratégia de apresentar o país como protagonista no novo ciclo industrial global, e não apenas como exportador de commodities.
A expectativa é que o evento reúna centenas de empresas e promova rodadas de negócios e investimentos, ampliando a inserção do Brasil em cadeias produtivas de maior valor agregado.
Encerramento em Portugal e articulação política
A agenda será concluída em Lisboa, com uma visita de Estado voltada ao fortalecimento das relações bilaterais. Além dos compromissos econômicos, a viagem também inclui articulações políticas, como a busca de apoio internacional à candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral da ONU.
Com a presença de cerca de 15 ministros e dirigentes de instituições como o BNDES e a ApexBrasil, a viagem é tratada pelo governo como uma ofensiva diplomática ampla, que combina interesses econômicos, políticos e estratégicos para ampliar o papel do Brasil no cenário global.




