A Airbus, maior fabricante de aviões do mundo, recuou na tentativa de reduzir o trabalho remoto entre seus funcionários depois de enfrentar uma onda de protestos e greves na Europa. A companhia pretendia estabelecer, a partir de setembro, um limite de apenas um dia de trabalho em casa por semana, contra os dois dias atualmente permitidos. Diante da reação dos empregados, gestores receberam autorização para manter, em determinados casos, os acordos que permitem uma média de dois dias de trabalho remoto.
A mudança representa um revés para a estratégia conduzida pelo presidente-executivo da empresa, Guillaume Faury, que vinha defendendo uma presença maior dos funcionários nos escritórios. Segundo a direção, a medida busca melhorar a troca de conhecimentos, acelerar decisões e aumentar a eficiência coletiva em um momento de forte demanda por aeronaves e de preparação de novos produtos.
A companhia, porém, decidiu reduzir o ritmo da implementação após ouvir os funcionários.

Greves pressionaram a direção da empresa
A reação dos trabalhadores ganhou força especialmente na Espanha, onde funcionários da Airbus realizam paralisações desde julho. Segundo sindicatos, aproximadamente 40% dos 14 mil trabalhadores da companhia no país participaram de greves recentes.
Os protestos espanhóis não estão relacionados apenas ao trabalho remoto. As reivindicações também envolvem transporte, férias, licenças remuneradas e salários.
Manifestações semelhantes ocorreram na França e no Reino Unido nos últimos meses. Na França, houve protestos contra a proposta de obrigar funcionários administrativos a permanecerem no escritório quatro dias por semana.
Apesar da sequência de paralisações, a produção de aeronaves não foi afetada até o momento. As interrupções ficaram concentradas principalmente em funções administrativas e de apoio.
Airbus queria aumentar presença presencial
A ofensiva para levar os trabalhadores de volta aos escritórios foi liderada pessoalmente por Faury. Em junho, o executivo comunicou aos funcionários que o trabalho remoto havia sido fundamental durante a pandemia de Covid-19, quando reduzir o contato entre as pessoas era uma prioridade.
Na avaliação atual da direção, entretanto, o cenário mudou. Com a retomada do setor e a necessidade de desenvolver novos produtos, a Airbus entende que a interação presencial pode facilitar a transferência de conhecimento e acelerar processos.
A empresa também enfrenta um cenário de expansão. Milhares de novos funcionários foram contratados nos últimos anos para atender ao aumento da demanda por aviões comerciais e preparar a companhia para novos projetos.
De acordo com sindicatos franceses, entre 25% e um terço dos funcionários da Airbus ingressaram na empresa nos últimos três anos. Ao mesmo tempo, dezenas de milhares de profissionais deixaram o setor aeroespacial desde a pandemia.
Empresa admite mudança mais gradual
Com a reação dos funcionários, a Airbus decidiu não impor imediatamente a redução para um dia de trabalho remoto por semana.
Gestores passaram a ter margem para preservar acordos existentes, permitindo que determinadas equipes continuem trabalhando de casa, em média, dois dias por semana.
A empresa afirma, contudo, que a meta de aumentar a presença física nos escritórios continua de pé. A diferença está no ritmo da implementação.
Segundo a Airbus, a companhia pretende ampliar a presença presencial para melhorar a eficiência coletiva, a transferência de conhecimento e a velocidade na tomada de decisões. Ao mesmo tempo, a direção reconheceu que uma mudança efetiva depende de ouvir os trabalhadores e, por isso, decidiu realizar a transição de maneira mais gradual.











