A espanhola Zara alcançou um marco histórico no varejo mundial ao ultrapassar a Nike e se tornar a marca de moda mais valiosa do planeta, mesmo em meio ao fechamento de 136 lojas físicas ao redor do mundo, sendo 11 delas no Brasil.
A mudança faz parte de uma ampla estratégia do grupo Inditex, controlador da Zara, que vem reformulando sua operação global para apostar em lojas maiores, mais tecnológicas e totalmente conectadas ao comércio digital.
Segundo o relatório BrandZ Top 100 Most Valuable Global Brands, elaborado pela consultoria Kantar, a Zara atingiu valor de mercado estimado em US$ 44,088 bilhões, alta de 18% em relação ao ano anterior. Já a Nike caiu para US$ 41,188 bilhões, registrando desvalorização de 17%.
No ranking das principais marcas de moda do mundo, apenas Zara, Uniqlo e H&M conseguiram crescer em valor no último ano. Outras gigantes do setor, como Adidas, Shein e Lululemon, sofreram quedas expressivas.

Fechamento de lojas faz parte de transformação global
Apesar do avanço financeiro, a expansão da Zara não passa mais pelo aumento do número de unidades físicas. Desde 2025, a Inditex vem promovendo um processo de “otimização de rede”, encerrando lojas menores e concentrando investimentos em megastores localizadas em regiões estratégicas.
Somente na Espanha, 52 unidades foram fechadas em poucos meses. A proposta é substituir pontos tradicionais por espaços maiores, modernos e multifuncionais, capazes de atuar também como centros logísticos para pedidos online.
As novas lojas incorporam tecnologias como identificação automática de peças por RFID, provadores inteligentes, caixas de autoatendimento e áreas de retirada rápida para compras feitas pela internet. Em algumas unidades, há até cafés e espaços de convivência voltados à experiência do consumidor.
A flagship da marca em Madri é considerada um dos principais exemplos desse novo conceito de varejo híbrido.
Digitalização muda o modelo do varejo de moda
A transformação da Zara acompanha a crescente relevância do comércio eletrônico no faturamento da Inditex. Em 2024, mais de um terço das receitas do grupo já veio das vendas online.
Com isso, as lojas físicas deixaram de funcionar apenas como pontos de venda e passaram a integrar uma estrutura omnichannel, conectando estoque, logística, retirada de produtos e experiência presencial.
Além da Zara, outras marcas do grupo, como Bershka, Massimo Dutti e Stradivarius, também vêm fechando unidades menores para aumentar eficiência e rentabilidade.




