A fabricante dos chocolates Milka foi condenada pela Justiça da Alemanha após reduzir o peso de uma de suas barras mais tradicionais sem promover mudanças significativas na embalagem. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (13) por um tribunal regional alemão, que considerou a prática enganosa para os consumidores.
A ação foi movida pelo órgão de proteção ao consumidor da cidade de Hamburgo contra a Mondelēz International, dona da marca Milka. Segundo o processo, a empresa diminuiu o peso da clássica barra Alpine Milk de 100 gramas para 90 gramas no início de 2025, mantendo praticamente o mesmo tamanho e aparência da embalagem roxa característica do produto.
Além da redução no conteúdo, o preço também subiu: a barra passou de 1,49 euro para 1,99 euro após a mudança.
O caso ganhou destaque por envolver a chamada “reduflação”, prática conhecida internacionalmente como shrinkflation, quando fabricantes reduzem a quantidade de produtos sem deixar isso claro ao consumidor, mantendo ou até aumentando os preços.
Na decisão, os juízes afirmaram que a embalagem criava uma expectativa visual incompatível com a quantidade real de chocolate disponível dentro do pacote. O tribunal determinou que a fabricante deveria ter incluído um aviso claro e visível informando a redução do peso por pelo menos quatro meses após a mudança, permitindo que os consumidores percebessem a alteração.
Apesar da condenação, a decisão não gera efeitos imediatos sobre os produtos já vendidos, já que o período de transição citado pela corte já expirou. A Mondelēz ainda poderá recorrer da sentença dentro do prazo de um mês.

Empresa já enfrentou críticas semelhantes
A fabricante afirmou que havia comunicado a alteração em seu site oficial e nas redes sociais. Mesmo assim, consumidores alemães elegeram a barra Milka Alpenmilch como a “embalagem enganação do ano de 2025” em uma pesquisa local.
Não é a primeira vez que a empresa enfrenta repercussão negativa envolvendo redução de produtos. Em 2016, a Mondelēz foi alvo de críticas após aumentar os espaços entre os tradicionais triângulos do chocolate Toblerone para diminuir o peso sem elevar oficialmente o preço. Dois anos depois, o formato original foi retomado.
Outras marcas do setor também vêm sendo acusadas de reduflação nos últimos anos. Na Europa, consumidores apontaram diminuição em embalagens de bombons, chocolates e doces após a alta global nos custos de produção.
Alta do cacau pressiona fabricantes
O encarecimento do chocolate está ligado principalmente à crise nas lavouras de cacau da África Ocidental, especialmente em Gana e Costa do Marfim, responsáveis por mais da metade da produção mundial da matéria-prima.
Além do cacau, empresas do setor apontam aumento nos custos de leite, energia, transporte e logística como fatores que pressionam os preços.
Nos últimos anos, fabricantes de alimentos e bebidas passaram a recorrer com frequência à redução do tamanho dos produtos para tentar compensar os impactos da inflação sem provocar reajustes considerados excessivos ao consumidor final.




