A redução da fila de espera do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2026 veio acompanhada de uma mudança que tem chamado a atenção de segurados e especialistas em Direito Previdenciário. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que o número de pedidos de benefícios negados aumentou significativamente nos primeiros meses do ano, ao mesmo tempo em que o estoque de requerimentos pendentes caiu para menos da metade.
Entre janeiro e maio de 2026, a média mensal de indeferimentos chegou a 668,6 mil solicitações, um crescimento de aproximadamente 70% em comparação com o mesmo período de 2025, quando eram registrados cerca de 395 mil pedidos negados por mês. O volume é o maior desde 2021.
Enquanto isso, a fila do INSS recuou de um pico de aproximadamente 3,1 milhões de requerimentos, registrado em fevereiro, para cerca de 1,5 milhão em julho. A meta do governo federal é reduzir esse total para 1,3 milhão até setembro.
O aumento dos indeferimentos despertou preocupação entre pessoas que aguardam aposentadorias, auxílios e outros benefícios previdenciários.
Especialistas explicam que uma decisão administrativa negativa não significa, necessariamente, que o segurado perdeu definitivamente o direito ao benefício. Em muitos casos, a recusa ocorre por documentação incompleta, ausência de informações no cadastro, divergências no tempo de contribuição ou interpretações diferentes sobre o cumprimento dos requisitos legais.
Recurso pode reverter decisão
Quem tiver um pedido negado pode solicitar uma nova análise por meio de recurso administrativo, realizado diretamente pelo portal ou aplicativo Meu INSS, sem necessidade de comparecimento presencial.
Após localizar o requerimento indeferido, o segurado pode apresentar sua contestação, anexando documentos que comprovem o direito ao benefício, como carteira de trabalho, comprovantes de contribuição, laudos médicos ou outros registros pertinentes.
O recurso é encaminhado ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), responsável por reavaliar o caso. Caso o benefício continue sendo negado e haja indícios de erro na análise, também existe a possibilidade de buscar a revisão pela via judicial.
Governo acompanha aumento de negativas no Atestmed
A mudança de postura também foi observada no Atestmed, sistema utilizado para análise de pedidos de benefício por incapacidade temporária com base em atestados médicos, dispensando perícia presencial em afastamentos de até 90 dias.
Desde março deste ano, os peritos passaram a ter autonomia para analisar o mérito dos pedidos, podendo indeferir benefícios quando entenderem que não havia comprovação suficiente da incapacidade.
Durante o monitoramento da nova metodologia, o Ministério da Previdência identificou que 167 peritos apresentavam índices de negativas muito superiores à média nacional. Em alguns casos, a taxa de indeferimento ultrapassou 90%, chegando a 96,6% em um dos registros analisados.
Como medida preventiva, esses profissionais tiveram o acesso ao novo sistema temporariamente suspenso para avaliação da qualidade das análises realizadas.
A Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANMP) contestou a decisão e acionou a Justiça, alegando que a restrição prejudica a participação desses servidores no programa de bônus criado para acelerar a análise dos processos.












