Dores de cabeça frequentes podem ter diversas causas e, na maioria das vezes, não estão relacionadas a problemas graves. Para a corretora de imóveis Deiny Ferreira, de 40 anos, porém, a persistência de uma cefaleia intensa fez com que ela procurasse diferentes médicos em busca de uma explicação. Moradora de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, ela passou por exames e ouviu hipóteses como ansiedade e estresse, mas continuou com os sintomas. As informações sobre o caso foram divulgadas pelo Metrópoles.
“Era uma enxaqueca muito forte, uma dor que não tinha explicação. Parecia que andava [a dor] na minha cabeça, era muito difícil de lidar”, relatou Deiny ao veículo.
A situação mudou depois que uma tomografia levantou a possibilidade de um aneurisma cerebral. A paciente procurou o neurocirurgião e especialista em doenças cerebrovasculares Victor Hugo Espíndola, que avaliou que as características da dor eram compatíveis com enxaqueca e iniciou tratamento para essa condição.
Embora Deiny tenha apresentado melhora com a medicação, a alteração identificada no exame precisava ser investigada de maneira independente. Uma angiografia cerebral confirmou então a presença de dois aneurismas nas artérias carótidas. Segundo o relato da paciente, um deles tinha 2,9 milímetros e o outro, 1,9 milímetro.

O que é um aneurisma cerebral
O aneurisma cerebral é uma dilatação localizada na parede de uma artéria do cérebro, geralmente formada em uma região em que o vaso sanguíneo apresenta maior fragilidade. Em muitos casos, a alteração permanece silenciosa durante anos e só é identificada quando a pessoa realiza um exame de imagem por outra razão.
O maior risco ocorre quando o aneurisma se rompe. Nessa situação, pode provocar uma hemorragia subaracnoidea, caracterizada pelo sangramento repentino no espaço que envolve o cérebro. Trata-se de uma emergência médica que exige atendimento imediato e pode provocar danos neurológicos graves ou levar à morte.

Apesar da gravidade, especialistas destacam que o aneurisma não é uma explicação comum para dores de cabeça. A maioria das pessoas que procura atendimento de emergência por cefaleia tem outra causa para o sintoma. Estimativas apontam que aneurismas rompidos respondem por aproximadamente 1% a 4% dos atendimentos de urgência motivados por dor de cabeça.
Isso significa que, em cerca de 96% a 99% dessas situações, a origem da dor não está relacionada a um aneurisma.
Condição pode atingir milhões de pessoas
Estimativas indicam que os aneurismas cerebrais estejam presentes em aproximadamente 3,2% da população mundial, o equivalente a cerca de uma pessoa em cada 50. A condição está associada a quase 500 mil mortes por ano no mundo, sendo aproximadamente metade delas entre pessoas com menos de 50 anos.
No Brasil, estudos estimam uma prevalência entre 0,9% e 2% da população. Uma pesquisa publicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificou mais de 61 mil internações por hemorragia subaracnoidea aneurismática entre 2017 e 2022.
A incidência também apresenta diferenças entre os sexos. As mulheres são mais afetadas, chegando a uma proporção de até duas mulheres para cada homem, especialmente depois dos 50 anos. Uma das hipóteses para essa diferença está relacionada à redução dos níveis de estrogênio após a menopausa.
A faixa etária em que a condição é observada com maior frequência fica entre 40 e 60 anos, período que inclui a idade de Deiny quando os exames identificaram as duas alterações.
Ruptura é a principal preocupação
Um aneurisma que ainda não rompeu pode ser acompanhado ou tratado, dependendo de fatores como tamanho, localização, características da lesão e condições individuais do paciente. Quando há ruptura, entretanto, o cenário muda completamente.
A hemorragia provocada pelo rompimento pode resultar em um AVC hemorrágico e apresenta elevada taxa de mortalidade. Aproximadamente 50% dos pacientes com aneurisma cerebral rompido podem morrer. Entre aqueles que sobrevivem, mais da metade pode permanecer com algum tipo de sequela neurológica.











