Durante décadas, livros, aulas e materiais científicos repetiram os mesmos números sobre o tamanho de Júpiter. Agora, a NASA confirmou que essas informações estavam ligeiramente erradas. Dados inéditos coletados pela sonda Juno, que orbita o planeta desde 2016, mostram que o maior planeta do Sistema Solar é um pouco menor e mais achatado do que se acreditava, desmontando uma “verdade absoluta” aceita por gerações.
Até recentemente, o tamanho de Júpiter era calculado com base em apenas seis medições realizadas pelas missões Voyager e Pioneer, há quase meio século. Esses dados indicavam que o raio equatorial do planeta era de 71.492 quilômetros e o raio polar, de 66.854 quilômetros.
As novas análises, publicadas em fevereiro na revista Nature Astronomy, mostram números ligeiramente menores:
- Raio equatorial: 71.488 km
- Raio polar: 66.842 km
Apesar da diferença parecer pequena, ela é cientificamente relevante. Segundo os pesquisadores, as medições antigas não levavam em conta a influência dos ventos extremamente fortes de Júpiter, que afetam a forma do planeta.

Juno permitiu medições muito mais precisas
A correção só foi possível graças à missão Juno, que utiliza a técnica chamada ocultação por rádio. Quando a sonda passa “atrás” de Júpiter em relação à Terra, seus sinais de rádio são distorcidos pela atmosfera do planeta. Essa distorção permite calcular com grande precisão sua estrutura e dimensões.
Diferentemente das missões do passado, a Juno realizou 24 medições detalhadas, oferecendo um retrato muito mais fiel do gigante gasoso.
“Quando a Juno passa atrás de Júpiter, seu sinal é bloqueado e curvado pela atmosfera. Isso nos dá uma oportunidade única de medir o tamanho real do planeta”, explicou Scott Bolton, cientista-chefe da missão.
Mudança ajuda a entender o interior do planeta
Mais do que ajustar números, a descoberta ajuda a resolver antigos dilemas científicos. Segundo especialistas, pequenas variações no raio de Júpiter melhoram significativamente os modelos sobre seu interior, que ainda é um dos maiores mistérios da astronomia.
“Não se trata apenas de saber o tamanho exato, mas de compreender como o planeta funciona por dentro”, afirmou o cientista Oded Aharonson, do Instituto Weizmann, em Israel.
Como Júpiter é usado como referência para o estudo de exoplanetas gigantes, a correção também impacta pesquisas sobre mundos fora do Sistema Solar.



