Brasileiros que pretendem viajar para a Europa e para o Reino Unido precisarão se adaptar a uma nova fase de fiscalização migratória, marcada pelo uso de autorizações eletrônicas, coleta de biometria e cruzamento de dados internacionais. Mesmo sem exigência de visto tradicional para viagens de curta duração, novos sistemas digitais passam a decidir quem poderá embarcar e entrar nos países europeus.
Entre as mudanças está o avanço do ETIAS, autorização eletrônica obrigatória para viajantes isentos de visto que desejam entrar na Zona Schengen. O modelo funcionará de forma semelhante ao ESTA, utilizado pelos Estados Unidos.
A previsão da União Europeia é que o sistema entre plenamente em vigor até o fim de 2026. A autorização custará 20 euros e terá validade de três anos para múltiplas viagens, desde que o passaporte permaneça válido durante todo o período.
Outra mudança importante envolve o Entry/Exit System, conhecido pela sigla EES.
O sistema substituirá o tradicional carimbo manual no passaporte por um controle eletrônico integrado entre os países da Zona Schengen. As informações de entrada e saída passarão a ser registradas automaticamente, incluindo biometria facial, impressões digitais, país de chegada e tempo de permanência.
Na prática, cada dia dentro do território europeu será monitorado digitalmente. Brasileiros continuam dispensados de visto para permanência de até 90 dias dentro de um período de 180 dias, mas o novo sistema elimina brechas e flexibilidades antes comuns nos controles migratórios.
Caso o limite seja ultrapassado, o alerta será emitido automaticamente às autoridades, aumentando o risco de deportação, multas e futuras recusas de entrada.
Autorização não garante entrada automática
Especialistas alertam que possuir ETIAS aprovado não significa autorização automática para entrar na Europa.
Mesmo após a liberação eletrônica, turistas continuarão sujeitos à inspeção nos aeroportos e postos de imigração. Guardas de fronteira poderão negar a entrada caso identifiquem inconsistências em documentos, suspeitas migratórias ou descumprimento das regras locais.
O sistema foi criado para reforçar a segurança e ampliar o monitoramento de viajantes considerados isentos de visto.
Além da União Europeia, o Reino Unido também passou a adotar controles eletrônicos mais rígidos para visitantes internacionais.
As novas exigências acompanham uma tendência global de digitalização migratória, integrando bancos de dados, análise prévia de passageiros e verificação automática de antecedentes antes mesmo do embarque.
Na prática, viajar apenas com passaporte válido deixou de ser suficiente em muitos casos. Autorizações eletrônicas, cadastros prévios e conferências biométricas passaram a fazer parte do processo de entrada em diversos países.
Filas e atrasos preocupam aeroportos europeus
A implantação dos novos sistemas também vem gerando preocupação em aeroportos e companhias aéreas europeias.
A Ryanair criticou recentemente as longas filas nos controles migratórios, especialmente na França, e pediu a suspensão temporária do EES durante o verão europeu.
Segundo a empresa, aeroportos e portos ainda enfrentam dificuldades técnicas para operar plenamente os sistemas biométricos, o que tem provocado atrasos e filas extensas em períodos de maior movimento.
Alguns países chegaram a flexibilizar temporariamente a coleta biométrica em determinados pontos de fronteira para evitar congestionamentos, embora a Comissão Europeia mantenha oficialmente o cronograma de implementação do sistema.
Viagem improvisada pode gerar problemas
Com as novas regras, especialistas recomendam que brasileiros façam planejamento prévio antes de qualquer viagem internacional.
Além de conferir validade do passaporte, será necessário acompanhar a exigência de autorizações eletrônicas, regras de permanência e funcionamento dos sistemas migratórios de cada país.
A recomendação é evitar viagens de última hora sem documentação completa, já que passageiros podem ser impedidos de embarcar mesmo com passagens compradas e reservas confirmadas.




