O Santos perdeu mais uma importante fonte de receita após o encerramento, em julho, do contrato de patrocínio da Pley by Ney, marca de bebidas associada a Neymar. A parceria, que envolvia a Tial, a Fun Brands e a NR Sports, empresa responsável pela gestão da imagem do jogador, não foi renovada. A saída ocorre em meio à situação financeira delicada do clube e aos débitos mantidos com o próprio atacante.
A decisão também acontece em um cenário de desgaste entre Neymar e o presidente do Santos, Marcelo Teixeira. Embora o contrato tenha chegado oficialmente ao fim e não tenha sido renovado, informações apontam que as dívidas do clube com o jogador pesaram no encerramento da parceria.
O patrocínio ocupava espaços estratégicos no uniforme santista, incluindo a faixa de capitão utilizada por Neymar. De acordo com informações divulgadas sobre o acordo, a empresa ligada à família do atacante havia investido aproximadamente R$ 3 milhões na parceria entre julho de 2025 e julho de 2026.
Santos perde cerca de R$ 18 milhões em patrocínios
A saída da Pley by Ney faz parte de uma debandada maior de patrocinadores do uniforme principal do Santos. Além da marca ligada a Neymar, EQR, Nissei, Álamo e Corpx também deixaram ou estão deixando os espaços comerciais da camisa.
EQR, Nissei e Pley by Ney decidiram não renovar seus contratos. Já a Corpx rescindiu o acordo em razão de uma reestruturação financeira e de mudanças nos investimentos de marketing da empresa, acionando uma cláusula contratual que permitia o encerramento sem pagamento de multa.
A Álamo, por sua vez, ainda possui dois jogos previstos em seu contrato e poderá negociar uma renovação posteriormente.
Com a perda das empresas, o Santos deixa de contar com aproximadamente R$ 18 milhões em receitas provenientes dos patrocinadores do uniforme. Até o primeiro semestre deste ano, o clube arrecadava cerca de R$ 60 milhões com as propriedades comerciais da camisa do time principal. Com as saídas, a previsão é que essa receita caia para aproximadamente R$ 40 milhões.
Entre os contratos encerrados estava também o da Farmácias Nissei, que pagava cerca de R$ 3,5 milhões por ano para ocupar a lapela do uniforme. Ao longo de dois anos de parceria, o acordo teria proporcionado aproximadamente R$ 7,5 milhões ao clube.
Dívidas pressionam as contas do clube
A perda dos patrocinadores ocorre em um momento especialmente delicado para as finanças do Santos. O clube possui uma dívida próxima de R$ 1 bilhão e acumula mais de R$ 470 milhões em compromissos de curto prazo, com vencimento previsto para até 12 meses.
Os débitos classificados como de médio e longo prazo, com vencimento superior a um ano, ultrapassam R$ 761 milhões. Além disso, existem R$ 233,4 milhões em receitas diferidas, valores que não entram diretamente no cálculo do endividamento por representarem obrigações de performance e não necessariamente compromissos financeiros imediatos.
O cenário também inclui dois meses de direitos de imagem atrasados e um transfer ban, que impede o clube de registrar novos jogadores enquanto determinadas pendências não forem solucionadas.
Apesar da situação financeira, o Santos registrou uma receita próxima de R$ 700 milhões no ano de retorno à Série A do Campeonato Brasileiro. O clube alcançou aproximadamente R$ 678,5 milhões, valor cerca de 60% superior ao orçamento inicialmente previsto para 2025, que era de pouco mais de R$ 423 milhões.











