O pré-candidato à Presidência da República e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), defendeu nesta segunda-feira (22) uma reformulação nas regras do Bolsa Família e afirmou que o programa estaria contribuindo para formar uma “geração de quase imprestáveis”. Entre as propostas apresentadas, o político sugeriu a criação de um bônus de R$ 5 mil para beneficiários que conseguirem um emprego com carteira assinada e deixarem o programa social.
A declaração foi feita durante evento com empresários da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, onde Zema também criticou regras atuais do programa e defendeu maior exigência de qualificação para beneficiários.
Segundo o ex-governador, a ideia é estimular a entrada no mercado de trabalho formal e incentivar a conclusão dos estudos. Ele afirmou que pretende, caso eleito, exigir que homens beneficiários do programa concluam a escolaridade e realizem cursos técnicos.
“Hoje não tem essa exigência. […] Quero colocar essas exigências para os homens”, disse Zema, acrescentando que mulheres não seriam incluídas nas mesmas regras por, segundo ele, “terem outras atribuições em casa”.
Durante o discurso, o político também voltou a defender reformas trabalhista e administrativa e criticou propostas de flexibilização da jornada de trabalho, como o fim da escala 6×1, além de sugerir a adoção de modelos de remuneração por hora trabalhada.
Governo destaca saída de milhões do programa por aumento de renda
As declarações ocorrem em meio a dados do governo federal que indicam a saída de milhões de famílias do Bolsa Família por aumento de renda. Entre março de 2023 e maio de 2026, mais de 5,1 milhões de famílias deixaram o programa em todo o país após melhorarem a situação financeira, seja por emprego formal ou empreendedorismo.
Somente no estado do Rio de Janeiro, mais de 393 mil famílias saíram do programa no período. Em maio de 2026, foram mais de 15,7 mil desligamentos no estado, com destaque para municípios como Rio de Janeiro (4,3 mil), Nova Iguaçu (1,1 mil) e Duque de Caxias (860).
Entre as capitais, São Paulo lidera os desligamentos em maio de 2026, com 7.312 famílias, seguida por Rio de Janeiro (4.387), Fortaleza (3.790), Salvador (3.095) e Brasília (1.896).
Regra de proteção garante transição gradual
O Bolsa Família conta atualmente com a chamada Regra de Proteção, que permite a permanência temporária de famílias que aumentam a renda, mesmo acima do limite de R$ 218 por pessoa. Nesses casos, o benefício é reduzido em 50% por até 12 meses, desde que a renda per capita permaneça abaixo de R$ 706.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, mais de 80% das vagas formais criadas no primeiro trimestre de 2026 foram ocupadas por inscritos no CadÚnico, o que, segundo a pasta, indica inserção de beneficiários no mercado de trabalho.




