O empresário Eike Batista anunciou um novo projeto no setor energético e afirmou que pretende apostar em um combustível sustentável capaz de competir com gasolina e diesel nos próximos anos. A iniciativa envolve o desenvolvimento de uma variedade genética de cana-de-açúcar conhecida como “supercana”, voltada à produção de etanol em larga escala.
O projeto foi confirmado por Eike em fevereiro de 2025 e marca uma tentativa de retorno do empresário ao mundo dos grandes negócios após anos afastado do mercado financeiro. Segundo informações divulgadas pelo próprio grupo, a iniciativa conta com um aporte estimado em US$ 500 milhões de investidores árabes e ainda está em fase experimental.
A proposta prevê a utilização da chamada supercana, desenvolvida para oferecer maior produtividade por hectare e ampliar a eficiência na geração de biocombustíveis. O objetivo é produzir etanol em larga escala, inclusive com potencial aplicação no setor de aviação.
O anúncio acontece em um momento de pressão internacional sobre os preços dos combustíveis fósseis. O avanço das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio provocou impactos no mercado global de petróleo e aumentou as preocupações com o abastecimento após ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do setor energético mundial.
Nesse cenário, o projeto defendido por Eike busca posicionar o etanol como uma alternativa mais barata e menos poluente em relação à gasolina e ao diesel.
De acordo com o empresário, a supercana possui rendimento superior ao da cana convencional, o que pode reduzir custos de produção e aumentar a competitividade do combustível renovável.
A operação deverá ser instalada na região do Porto do Açu, no norte fluminense. A estrutura foi planejada para atender tanto o mercado brasileiro quanto operações de exportação.
Setor reage com cautela
Apesar do entusiasmo apresentado pelo empresário, o anúncio foi recebido com cautela por representantes da indústria sucroenergética.
Parte do setor lembra que projetos semelhantes já foram testados anteriormente por grandes grupos do agronegócio, mas acabaram abandonados devido à dificuldade de viabilidade econômica em larga escala.
Durante conferência promovida pelo BTG Pactual, o empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan, afirmou que iniciativas parecidas já haviam sido avaliadas anteriormente pela indústria.
Segundo ele, algumas experiências acabaram interrompidas após testes iniciais. Ometto também citou o agrônomo Sizuo Matsuoka, especialista em melhoramento genético da cana-de-açúcar e um dos técnicos ligados ao novo projeto de Eike Batista.
Histórico de ascensão e queda
O retorno de Eike Batista ao setor empresarial também reacende lembranças sobre a trajetória do antigo império EBX.
Entre os anos 2000 e 2012, o empresário chegou a ser considerado um dos homens mais ricos do mundo após a expansão de empresas ligadas à mineração, petróleo, logística e energia. Um dos momentos de maior impacto ocorreu em 2012, quando a OGX anunciou uma descoberta bilionária de petróleo no pré-sal da Bacia de Santos.
As estimativas iniciais apontavam reservas entre 3 bilhões e 4 bilhões de barris, o que impulsionou o valor de mercado das empresas do grupo.
Entretanto, a crise da OGX desencadeou um efeito dominó sobre as demais companhias da EBX. Em poucos anos, Eike perdeu grande parte de sua fortuna e passou a enfrentar investigações judiciais.
Em 2017, o empresário foi condenado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro em um processo relacionado ao pagamento de propina ao ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Ao longo da Operação Lava-Jato, Eike também foi alvo de investigações envolvendo manipulação de mercado e uso de informação privilegiada.



