Uma nova modalidade de golpe digital está utilizando o nome, a identidade visual e elementos de serviços da Receita Federal para induzir brasileiros a realizar pagamentos fraudulentos por Pix. As páginas criminosas simulam plataformas oficiais e utilizam endereços eletrônicos com termos relacionados à Fazenda para transmitir credibilidade, enquanto apresentam falsas cobranças e pressionam as vítimas a quitar supostas pendências imediatamente.
O esquema foi identificado e divulgado nesta terça-feira (11) pelo pesquisador de segurança digital conhecido como Clandestine, no X, antigo Twitter. Entre as páginas encontradas está uma que simula uma cobrança referente a encomendas internacionais supostamente retidas na alfândega de Curitiba, no Paraná.
A abordagem informa ao usuário que existe uma pendência tributária relacionada à encomenda e ameaça consequências para o CPF caso o pagamento não seja realizado. A vítima é então direcionada para uma página que apresenta uma cobrança indevida e oferece o Pix como forma de quitação.
A estratégia utiliza elementos visuais e linguagem semelhantes às empregadas em páginas governamentais para fazer com que a vítima acredite estar diante de um procedimento oficial. O uso de domínios que contêm a palavra “fazenda” também contribui para criar uma falsa sensação de legitimidade.
A pressão pelo pagamento imediato é outro elemento utilizado pelos criminosos. Ao mencionar possíveis problemas com o CPF ou com a liberação de uma encomenda, a fraude tenta reduzir o tempo disponível para que o usuário verifique a informação por canais oficiais.
A principal recomendação de segurança é não acessar links recebidos por mensagens para resolver supostas pendências da Receita Federal. Caso exista alguma dúvida sobre impostos, encomendas ou débitos, o cidadão deve entrar diretamente nos canais oficiais do governo e verificar a situação sem utilizar o endereço fornecido na mensagem.
Fez um Pix? É preciso agir rapidamente
Quem caiu no golpe e realizou um pagamento deve entrar em contato imediatamente com o banco pelo aplicativo ou pelos canais oficiais da instituição financeira. A orientação é solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), procedimento criado para situações envolvendo fraudes, golpes ou crimes relacionados ao Pix.
A instituição financeira poderá analisar a transação e, quando houver elementos que justifiquem a medida, tentar bloquear e recuperar os valores transferidos.
Também é recomendado registrar um boletim de ocorrência e comunicar a utilização indevida da identidade da Receita Federal aos canais oficiais. A rapidez na comunicação é importante porque pode ampliar as possibilidades de adoção de medidas para tentar impedir que o dinheiro seja movimentado ou recuperar os recursos.
Brasil teve 34 bilhões de tentativas de golpes
O novo esquema aparece em um cenário de forte crescimento das fraudes digitais no país. Entre março de 2025 e fevereiro de 2026, o Brasil registrou aproximadamente 34 bilhões de tentativas de golpes digitais, segundo o relatório O Estado dos Golpes no Brasil 2026, da Global Anti-Scam Alliance (GASA).
De acordo com o levantamento, cada adulto brasileiro foi alvo, em média, de 201,6 abordagens criminosas durante o período analisado. Cerca de 16,5 milhões de pessoas perderam dinheiro em golpes, gerando prejuízo estimado em R$ 21,2 bilhões.
A perda média chegou a aproximadamente R$ 1.287 por vítima.
O levantamento também mostra o peso das plataformas de comunicação na aplicação das fraudes. O WhatsApp aparece como o principal canal, citado por 64% das vítimas. Na sequência estão o Gmail, com 32%, e o Instagram, com 22%. Considerando telefone e aplicativos de mensagens instantâneas, esses meios representam 71% dos contatos iniciais realizados pelos criminosos.
Golpes também deixam impacto emocional
As consequências das fraudes não se limitam ao dinheiro perdido. O estudo aponta que 76% das vítimas relataram impactos moderados ou significativos no bem-estar mental depois de sofrerem golpes.
Outro dado chama atenção: 19% dos brasileiros atingidos decidiram não registrar uma denúncia formal.
Diante do avanço das fraudes, especialistas em segurança digital recomendam desconfiar de mensagens que criem sensação de urgência, principalmente quando envolvem pagamentos, bloqueios de documentos, encomendas ou supostas dívidas com órgãos públicos.











