Estudantes que recorrem diariamente a chatbots de inteligência artificial para tarefas escolares têm desempenho inferior àqueles que usam a tecnologia com moderação ou nunca a utilizam. É o que mostra o mais recente relatório do Pisa, divulgado pela OCDE. A diferença chega a 28 pontos em ciências — o equivalente a um ano e meio de aprendizado.
A pesquisa ouviu mais de 760 mil jovens de 91 países. No Brasil, 48% dos alunos usam inteligência artificial pelo menos uma vez por semana nos estudos. O país, porém, registra índices de proficiência abaixo da média da OCDE em ciências, matemática e leitura.
Uso sem mediação
O relatório destaca que o problema não é a inteligência artificial em si, mas o uso sem mediação. Alunos que recebem orientação para questionar e verificar as respostas geradas pela inteligência artificial têm desempenho superior. O estudo também mostra que o uso semanal moderado é mais benéfico do que a ausência total ou o uso diário.
Uma pesquisa na China com 27 mil estudantes reforça o achado: delegar tarefas à inteligência artificial reduz o tempo de lição, mas compromete o resultado em provas finais. O relatório sugere que a inteligência artificial funcione como apoio ao esforço intelectual, e não como substituta.
Enquanto no Japão 40% dos jovens evitam a inteligência artificial nos estudos, no Vietnã esse índice cai para 4%. Os dados indicam que a forma de uso da inteligência artificial é determinante para o aprendizado. O relatório da OCDE reforça o alerta: sem orientação adequada, a ferramenta pode atrapalhar mais do que ajudar.











