Uma das obras de arte contemporânea mais controversas do mundo voltou a ser alvo de um episódio inusitado. O Centro Pompidou-Metz, na França, anunciou o furto da banana que compõe a obra “Comedian”, criação do artista italiano Maurizio Cattelan que ganhou notoriedade internacional por consistir em uma banana presa à parede com fita adesiva.
O caso ocorreu no último sábado no museu localizado na cidade de Metz, no leste francês. Segundo a instituição, um segurança identificou o desaparecimento da fruta, levando a administração a registrar uma queixa formal junto às autoridades locais contra autores ainda desconhecidos.
Apesar do furto, a direção informou que a obra foi rapidamente restaurada com a substituição da banana, uma vez que o componente orgânico faz parte de um conceito artístico que prevê sua renovação periódica.

Banana milionária já foi comida diversas vezes
A peça integra uma das edições de “Comedian”, obra que alcançou fama mundial após sua estreia na Art Basel Miami Beach, em 2019. Na época, o trabalho provocou debates sobre arte conceitual e o mercado artístico ao exibir simplesmente uma banana fixada em uma parede.
A obra ganhou ainda mais repercussão quando o artista performático David Datuna retirou a banana da instalação e a comeu diante do público durante a exposição em Miami.
Desde então, episódios semelhantes se repetiram. Em 2023, um estudante consumiu a banana durante uma exposição em Seul. Já em 2024, o empresário e colecionador de criptomoedas Justin Sun comprou uma edição da obra por US$ 6,24 milhões, cerca de R$ 31 milhões na cotação atual, e posteriormente também comeu a fruta.
Mais recentemente, em julho de 2025, outro visitante retirou e ingeriu a banana durante uma mostra no próprio Centro Pompidou-Metz.
Museu destaca valor conceitual da obra
Segundo a instituição francesa, o furto compromete temporariamente a experiência dos visitantes e representa uma falta de respeito ao patrimônio cultural exposto. Ainda assim, o museu ressaltou que a essência da obra permanece preservada, já que sua concepção prevê a substituição do elemento perecível.
De acordo com explicações já divulgadas pelo próprio museu, “Comedian” busca provocar reflexões sobre a especulação financeira no mercado de arte e sobre os sistemas de valor que sustentam o setor.
Conhecido por trabalhos provocativos, Maurizio Cattelan também é autor de outras obras que geraram repercussão internacional, como a instalação “America”, um vaso sanitário funcional produzido em ouro maciço de 18 quilates e avaliado em cerca de US$ 6 milhões. A peça foi roubada em 2019 durante uma exposição no Blenheim Palace, no Reino Unido, e jamais foi recuperada.



