A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta internacional após a confirmação de casos de hantavírus ligados a um navio de cruzeiro que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde. Apesar da repercussão mundial e das mortes registradas, a entidade reforçou que não há indícios de uma nova pandemia em curso.
Segundo a OMS, ao menos 11 pessoas testaram positivo para o vírus, incluindo passageiros e tripulantes, enquanto três mortes foram confirmadas até o momento. O caso ganhou atenção internacional porque parte dos infectados apresentou a cepa andes do hantavírus, considerada rara e com possibilidade de transmissão entre pessoas.
O navio desembarcou passageiros em Tenerife, nas Ilhas Canárias, na Espanha, onde teve início uma operação sanitária de monitoramento e quarentena. Ao todo, 94 passageiros de 19 nacionalidades deixaram a embarcação no último domingo, enquanto outros ocupantes permaneceram isolados.
Durante coletiva em Madri, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que “não há sinais de que estejamos vendo o início de um surto maior”, embora tenha reconhecido que novos casos ainda podem surgir devido ao longo período de incubação do vírus.

OMS reforça que hantavírus não representa nova Covid
O porta-voz da OMS, Tarik Jaarevi, declarou que a possibilidade de um grande surto internacional é “absolutamente baixa” e ressaltou que a situação não pode ser comparada à pandemia de Covid-19.
Especialistas explicam que o hantavírus é uma doença conhecida há décadas e normalmente associada ao contato com fezes, urina ou saliva de roedores contaminados. A transmissão entre humanos é considerada extremamente rara e ocorre apenas em variantes específicas, como a cepa andes identificada em parte dos pacientes do navio.
A OMS também informou que o hantavírus apresenta maior capacidade de transmissão logo nos primeiros dias da infecção, motivo pelo qual medidas de quarentena foram aplicadas aos casos suspeitos. O chefe da unidade de epidemiologia da organização, Olivier le Polain, afirmou que o isolamento preventivo busca reduzir qualquer possibilidade de disseminação.
Sintomas podem evoluir rapidamente
Os sintomas da doença incluem febre, calafrios, dores musculares e dificuldade respiratória. Em casos graves, o quadro pode evoluir para insuficiência pulmonar severa e levar à morte.
O período de incubação pode variar entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus, o que mantém autoridades sanitárias em alerta mesmo após o desembarque dos passageiros.
Uma das pacientes confirmadas na Espanha apresentou febre e problemas respiratórios, mas permanece estável em observação médica em Madri. Os demais passageiros monitorados tiveram resultado negativo até agora.
Navio será desinfetado após operação sanitária
Após a retirada dos passageiros, o navio MV Hondius seguiu viagem com 27 pessoas a bordo, incluindo tripulantes e médicos. A embarcação será levada aos Países Baixos para passar por um processo completo de descontaminação.
O porto de Granadilla, em Tenerife, também será desinfetado como medida preventiva. Autoridades espanholas seguem acompanhando os contatos próximos dos infectados e mantêm vigilância epidemiológica reforçada nas próximas semanas.



