No Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, Papa Leão XIV presidiu a procissão das velas e a oração do Rosário com fiéis e doentes no domingo (27). O pontífice atendeu ao antigo pedido que Nossa Senhora dirigiu por meio de Santa Bernadette e reafirmou o papel da fé e da esperança diante dos sofrimentos da existência humana.
Ao caminhar com uma vela acesa na mão, cada peregrino carrega simbolicamente a confiança na Virgem Maria, guia espiritual da Igreja e intercessora dos fiéis. O Papa explicou que as aparições a Santa Bernadette servem como auxílio pastoral para que os cristãos vivam o Evangelho com mais profundidade, não como acréscimo à revelação completa em Jesus Cristo.
Testemunho de paz em meio ao sofrimento
O pontífice viu nos doentes reunidos em Lourdes exemplos vivos de como a fé transforma a existência. Ao recordar palavras de Pio XII, de 1957, afirmou que o santuário representa um fenômeno único: um cortejo em que a serenidade e a alegria transcendem o sofrimento físico, sem negá-lo ou minimizá-lo.
Para Leão XIV, essa realidade revela um milagre espiritual: a graça divina permite aos crentes elevar o olhar para além das limitações terrenas e vislumbrar a felicidade eterna.
A investigação da Igreja sobre as aparições de Bernadette durou quatro anos e analisou seu caráter, estado psicológico, coerência teológica dos relatos e frutos espirituais, como conversões e curas. A apuração conferiu validade teológica àquele lugar sagrado.
Esperança como farol na adversidade
O Papa enfatizou que o sofrimento do presente não se compara à glória revelada aos que permanecem firmes na fé e na caridade. Citou a epístola de Paulo aos Romanos para reforçar que os sofrimentos atuais são insignificantes diante da glória eterna destinada aos filhos de Deus.
Leão XIV invocou a Imaculada Conceição como símbolo vivo da vitória do bem e do amor divino, referência que Bento XVI havia utilizado em uma homilia na procissão das velas, em 13 de setembro de 2008.
O Papa reafirmou Maria como estrela e farol que guia os cristãos rumo a Deus vencedor, destacando que ela precede os fiéis no caminho da salvação.
A Imaculada Conceição como esperança renovada
O pontífice ressaltou como Maria, preservada do pecado original pelo sacrifício de Cristo, personifica uma nova criação. Segundo a teologia católica, ela representa a aurora da salvação e a vitória sobre o demônio, papel decisivo na história da Redenção trazida pelos méritos da Paixão e da Ressurreição.
Nesse contexto, Leão XIV reafirmou que a intercessão mariana não é secundária para o cristão que busca acolher a graça da Redenção e lutar contra o mal.
A procissão das velas, realizada anualmente em Lourdes desde 1957, permanece uma expressão viva dessa devoção e da confiança que atravessa séculos. Leão XIV é o terceiro papa a participar do evento, depois de São João Paulo II e Bento XVI.











