Dormir um pouco mais nos fins de semana pode não ser apenas uma forma de recuperar as energias depois de uma semana cansativa. Uma nova análise sugere que acrescentar cerca de 1 hora e 27 minutos de sono nesses dias pode estar associado a uma menor prevalência de pressão alta. O resultado chama atenção porque contraria parte dos alertas tradicionais sobre os riscos de alterar muito os horários de sono aos sábados e domingos.
A pesquisa acompanhou 40.727 adultos da Coreia do Sul entre 2016 e 2023, utilizando dados da Korea National Health and Nutrition Examination Survey. Os pesquisadores compararam o tempo adicional de sono nos fins de semana com o período de descanso durante os dias úteis.
Os resultados apontaram que as pessoas que dormiam um pouco mais no fim de semana apresentavam, em média, 6% menos chances de ter hipertensão. Entre os participantes fisicamente inativos, a redução chegou a 6,9%.
O estudo foi apresentado no congresso anual da European Society of Cardiology, realizado em Munique, na Alemanha. Apesar dos resultados promissores, especialistas ressaltam que as conclusões ainda precisam ser avaliadas com cautela, já que o trabalho não havia sido publicado em uma revista científica com revisão por pares.
Quanto tempo a mais pode fazer diferença?
A pesquisa indica que o benefício estaria relacionado principalmente a uma recuperação moderada do sono perdido durante a semana. O intervalo considerado mais favorável ficou próximo de uma hora e meia adicional de descanso.
Em uma das análises, pessoas que dormiam cerca de 1 hora e 37 minutos a mais nos fins de semana apresentaram uma redução de aproximadamente 9% nas chances de hipertensão.
Isso não significa, porém, que quanto mais tempo uma pessoa permanecer na cama, maior será a proteção. Segundo os pesquisadores, grandes diferenças entre os horários de dormir e acordar durante a semana e o fim de semana podem provocar o chamado “jet lag social”, uma alteração do ritmo circadiano que pode estar relacionada a efeitos metabólicos e cardiovasculares desfavoráveis.
O equilíbrio, portanto, parece ser fundamental: recuperar parte do sono perdido sem transformar completamente a rotina.
Por que o sono interfere na pressão arterial?
Durante o sono, a pressão arterial normalmente diminui. Quando uma pessoa dorme pouco de maneira recorrente, essa redução natural pode ser prejudicada.
A hipertensão é um dos principais fatores de risco para infarto, acidente vascular cerebral (AVC), doenças renais e morte prematura. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,4 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos tinham pressão alta em 2024, o equivalente a aproximadamente um terço da população mundial nessa faixa etária.
Apesar da associação encontrada, os pesquisadores não sugerem que prolongar o sono aos fins de semana seja suficiente para prevenir a hipertensão.
Atividade física regular, alimentação equilibrada, controle do peso e acompanhamento da pressão continuam sendo medidas importantes para reduzir os riscos cardiovasculares.
A recomendação geral para adultos permanece em torno de sete a nove horas de sono por noite, além da manutenção de horários relativamente regulares para dormir e acordar.
Outro estudo apresentado no congresso da European Society of Cardiology de 2024, com mais de 90 mil participantes, também encontrou uma associação entre maior quantidade de sono de recuperação aos fins de semana e menor risco cardiovascular. Nesse trabalho, aqueles que mais recuperavam o sono perdido apresentaram aproximadamente 20% menos risco de desenvolver doenças cardíacas em comparação aos que menos recuperavam.











