O empresário e pescador Alexandre Augusto Dick, morador de Brusque, viveu uma experiência considerada rara até mesmo entre especialistas da pesca esportiva ao capturar um salmão-rei de 20 quilos e 1,05 metro de comprimento durante uma expedição na Patagônia.
A captura ocorreu no dia 21 de abril, após uma viagem de mais de 3 mil quilômetros e dias de acampamento em meio à floresta, sob temperaturas negativas. Segundo o pescador, o objetivo era justamente encontrar exemplares do chamado salmão Chinook em período de desova e pós-desova, uma fase extremamente curta e difícil de ser registrada.
Conhecido como salmão-rei, o Chinook é considerado a maior espécie de salmão do planeta.
Pescador há cerca de dez anos e proprietário de duas empresas ligadas ao setor, Alexandre afirmou que sonhava com a experiência havia pelo menos sete anos.

Segundo ele, a decisão da viagem aconteceu rapidamente após conseguir contatos especializados na região chilena.
“Eu tinha um sonho de pescar no período de desova e pós-desova do salmão. Isso é muito raro e difícil de acontecer, pois são períodos muito curtos do ano”, relatou.
A coloração marrom-escura do peixe chamou atenção nas imagens divulgadas nas redes sociais. De acordo com Alexandre, o tom indica que o animal já havia concluído o ciclo reprodutivo e estava próximo da morte natural.
Ciclo do salmão ainda intriga cientistas
O salmão-rei nasce em rios de água doce com coloração prateada e permanece nesses ambientes por cerca de 18 meses antes de migrar para o Oceano Pacífico.
Após passar entre três e cinco anos no mar, o peixe retorna exatamente ao rio onde nasceu para se reproduzir, um fenômeno que ainda desperta dúvidas na comunidade científica sobre como ocorre a orientação precisa dos animais.
Depois da reprodução, machos e fêmeas passam por uma transformação física intensa. A coloração muda gradualmente para tons marrons e escuros até atingir o preto, estágio em que o peixe entra em decomposição e morre.
No mesmo dia da captura histórica, Alexandre ainda fisgou outro exemplar raro: um salmão-rei preto, já em estágio avançado de decomposição.
Agora, o pescador catarinense pretende tentar a homologação de um recorde brasileiro com a captura. Alexandre já possui um recorde mundial em outra modalidade de pesca esportiva.
O vídeo da pescaria ultrapassou 100 mil visualizações nas redes sociais e chamou atenção pela dimensão do animal e pelas condições extremas enfrentadas durante a expedição.
Chile concentra uma das maiores indústrias de salmão do mundo
A captura ocorreu em uma região onde a criação e exportação de salmão possuem forte impacto econômico. O Chile é atualmente um dos maiores produtores mundiais da espécie.
Em 2024, Estados Unidos, Japão e Brasil lideraram as importações de salmão chileno. Segundo dados do Conselho do Salmão do Chile, mais da metade do salmão vendido em supermercados norte-americanos tem origem chilena.
O setor movimentou cerca de US$ 6,3 bilhões em exportações no último ano e representa a segunda maior atividade exportadora do país, atrás apenas do cobre.
Apesar da relevância econômica, a indústria salmonicultora chilena também enfrenta críticas relacionadas a impactos ambientais, uso intensivo de antibióticos e riscos trabalhistas, especialmente em regiões da Patagônia.




