A professora australiana Leah Stewart, de 35 anos, voltou a falar publicamente sobre o ataque de tubarão que mudou sua vida. Mais de dois meses depois de ser gravemente ferida durante um mergulho em uma praia de Sydney, na Austrália, a mãe de uma criança afirma que ainda enfrenta um longo processo de recuperação, mas já consegue enxergar novas possibilidades para o futuro.
Leah foi atacada durante um mergulho matinal na Coogee Beach, em junho. O animal provocou múltiplas mordidas nos braços e nas pernas, além de fraturas em diferentes partes do corpo e uma grande perda de sangue. A gravidade dos ferimentos fez com que ela fosse colocada em coma induzido e submetida a várias cirurgias, incluindo a amputação de um dos braços.
Cerca de 11 dias depois do ataque, a professora foi brevemente despertada do coma e conseguiu conversar pela primeira vez com familiares. As primeiras palavras dirigidas ao marido e à mãe foram simples, mas carregadas de emoção: “Eu amo vocês”.
Segundo o irmão de Leah, uma das primeiras preocupações dela ao despertar foi a filha, August. Mesmo depois de enfrentar um dos momentos mais traumáticos de sua vida, ela queria saber se a criança estava bem.

“Uma segunda chance na vida”
Em primeira manifestação pública desde o ataque, Leah contou que os últimos meses foram extremamente difíceis, mas afirmou estar satisfeita com os avanços alcançados durante a recuperação.
“Depois do que foram meses incrivelmente difíceis, estou muito feliz por ter progredido o suficiente para conquistar alguma independência e finalmente conseguir enxergar uma luz depois de tudo isso”, escreveu.
A professora também disse que encara a sobrevivência como uma oportunidade para recomeçar.
“Sinto que me deram uma segunda chance na vida, e não vou desperdiçá-la.”
Apesar das dificuldades, Leah afirma que está concentrada em recuperar gradualmente sua autonomia e voltar, dentro do possível, a uma rotina próxima da normalidade.
“Eu ainda tenho um longo caminho pela frente, mas minha recuperação tem sido extraordinária”, declarou.
Mais de R$ 1,5 milhão arrecadado
A recuperação de Leah mobilizou familiares, amigos e pessoas que sequer a conheciam. Uma campanha criada para ajudar com os custos do tratamento arrecadou mais de 550 mil dólares australianos, valor equivalente a cerca de US$ 394 mil.
Diante do montante alcançado, Leah decidiu encerrar as doações. Segundo ela, os recursos obtidos serão suficientes para permitir a continuidade da recuperação em casa e oferecer alternativas para futuros tratamentos médicos.
A professora agradeceu especialmente às pessoas que acompanharam sua história e contribuíram durante o período mais delicado.
O apoio recebido, segundo Leah, foi fundamental para que ela mantivesse a motivação durante a recuperação.
“Vocês me inspiraram a melhorar, não a ficar amarga”, afirmou.
Ataques aumentam preocupação na Austrália
O caso de Leah ocorreu durante um período de diversos incidentes envolvendo tubarões no estado de Nova Gales do Sul.
Em janeiro, o menino Nico Antic, de 12 anos, morreu no hospital após ser atacado em Vaucluse. Ainda naquele mês, o músico Andre de Ruyter perdeu uma perna depois de um ataque suspeito de tubarão-touro na Manly Beach.
A sequência de ocorrências levou as autoridades a ampliar o sistema de monitoramento das praias. O programa de vigilância por drones passou a abranger 72 praias do litoral de Nova Gales do Sul, com operações realizadas diariamente, do amanhecer ao anoitecer.











