A definição de classe social no Brasil varia conforme a metodologia adotada, mas um estudo recente da Fundação Getulio Vargas (FGV Social) estabelece parâmetros atualizados para entender onde se encaixa a maior parte da população. De acordo com o levantamento, uma família considerada de classe C, tradicionalmente associada à classe média, possui renda domiciliar mensal entre R$ 2.525 e R$ 10.885.
Os dados fazem parte do estudo “Evolução das Classes Econômicas Brasileiras: 1976 a 2024”, que analisa a distribuição de renda no país ao longo das últimas décadas.
A metodologia utilizada pela FGV considera a renda domiciliar per capita, ou seja, o total de rendimentos dividido pelo número de moradores da casa, e a converte em renda total familiar. Com base nisso, as classes econômicas são divididas da seguinte forma:
- Classe E: até R$ 1.580
- Classe D: entre R$ 1.580 e R$ 2.525
- Classe C: entre R$ 2.525 e R$ 10.885
- Classe B: entre R$ 10.885 e R$ 14.191
- Classe A: acima de R$ 14.191
Essa classificação serve como referência estatística e não leva em conta fatores como patrimônio, custo de vida regional ou acesso a serviços.
Classe média concentra maioria dos brasileiros
Segundo o estudo, a classe C reúne a maior parcela da população brasileira. Em 2024, cerca de 60,9% dos brasileiros estavam inseridos nesse grupo, evidenciando o peso da chamada classe média na estrutura social do país.
Já as classes mais altas (A e B) representam pouco mais de 17% da população, enquanto as classes D e E somadas correspondem a cerca de 21,8%, o menor nível já registrado na série histórica iniciada em 1976.
Diferenças regionais impactam padrão de vida
Embora a renda seja o principal critério para classificação, especialistas destacam que ela não reflete totalmente o poder de compra. Fatores como inflação, custo da moradia e preço dos alimentos influenciam diretamente a qualidade de vida.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a renda média do brasileiro gira em torno de R$ 3.457, o que ajuda a contextualizar a distribuição entre as classes.
Além disso, o mesmo valor pode representar padrões de vida distintos dependendo da região. Em áreas com custo de vida mais baixo, como partes do Nordeste, uma renda intermediária pode garantir maior conforto do que em grandes centros urbanos, como São Paulo.



