Comprar uma moto pode parecer uma alternativa econômica para quem busca reduzir os gastos com transporte, mas o preço de aquisição está longe de representar o custo total de ter um veículo de duas rodas. Combustível, documentação, manutenção, seguro e até a perda de valor ao longo do tempo entram na conta e podem fazer uma diferença considerável no orçamento.
O mercado brasileiro ajuda a explicar por que essa preocupação ganhou importância. Em 2025, foram comercializadas cerca de 2,1 milhões de motocicletas, alta de 17,1% em relação ao ano anterior, segundo a Abraciclo. O número também ficou acima do registrado pelos automóveis, que somaram aproximadamente 1,9 milhão de unidades, conforme dados da Fenabrave.
O crescimento foi expressivo nos últimos anos. Em 2021, foram cerca de 1,1 milhão de motos emplacadas, o que significa que o volume praticamente dobrou em apenas quatro anos.
Para entender quanto custa manter uma motocicleta, é possível tomar como referência uma Yamaha Factor 150 zero-quilômetro, utilizada na capital paulista por um motociclista que percorra aproximadamente 10 mil quilômetros por ano. O modelo foi a Yamaha mais emplacada no primeiro semestre de 2026, segundo a Fenabrave.
O primeiro gasto começa antes de rodar
Na cotação da Tabela Fipe de agosto de 2026, a Factor 150 aparece avaliada em R$ 19.545. Entretanto, esse não é o valor necessário para colocar a motocicleta regularmente em circulação.
Considerando R$ 469,91 de taxa do Detran, R$ 120 pela placa e R$ 180 de despachante, o desembolso inicial chega a R$ 20.314,91, já considerando o licenciamento inicial.
Para uma moto zero-quilômetro, os custos de emplacamento e documentação podem variar conforme o estado e os serviços contratados. As estimativas apresentadas ficam entre R$ 600 e R$ 800, considerando emplacamento, primeiro registro e placa Mercosul.
Depois da primeira documentação, o proprietário ainda precisa lidar anualmente com o licenciamento. Em 2025, a taxa para motocicletas ficou, em média, na faixa de R$ 150 a R$ 200, dependendo da unidade da federação. O pagamento é necessário para que o veículo possa circular legalmente.
Depreciação também entra na conta
Existe ainda uma despesa que não aparece necessariamente como um pagamento mensal: a depreciação.
A motocicleta perde valor com o passar do tempo, o que interfere diretamente no dinheiro que o proprietário poderá recuperar quando decidir vendê-la. Como referência, uma moto pode sofrer desvalorização de aproximadamente 10% a 20% ao ano, embora o percentual varie bastante conforme modelo, estado de conservação, quilometragem e procura no mercado de usados.
Assim, uma motocicleta adquirida por cerca de R$ 20 mil poderia perder alguns milhares de reais em valor durante o primeiro ano. Modelos de grande procura e marcas com forte presença no mercado de usados, como Honda e Yamaha, tendem a apresentar maior facilidade de revenda.
Seguro não é obrigatório, mas pesa no orçamento
O seguro também precisa ser considerado, principalmente para quem utiliza a moto diariamente ou vive em regiões com maior incidência de furtos e acidentes.
Diferentemente do licenciamento, o seguro não é uma exigência para circular. Ainda assim, pode representar uma proteção importante diante de um eventual roubo, furto, colisão ou necessidade de assistência.
Em 2025, uma estimativa de mercado colocava o seguro de motocicletas na faixa de R$ 800 a R$ 2 mil por ano. O valor, entretanto, varia de acordo com fatores como idade e perfil do condutor, modelo da motocicleta, local de residência e tipo de cobertura contratada.
Medidas como manter a moto em garagem fechada, utilizar dispositivos de segurança e instalar rastreador ou GPS também podem influenciar as condições da apólice.
Manutenção pode consumir mais de R$ 1 mil por ano
Mesmo uma motocicleta relativamente simples exige manutenção periódica. O gasto depende diretamente da quilometragem e da maneira como o veículo é utilizado, mas algumas despesas aparecem com frequência.
A troca de óleo, por exemplo, pode ocorrer a cada 1.000 a 2.000 quilômetros, com custo estimado entre R$ 50 e R$ 100 por serviço. Para quem roda 10 mil quilômetros no ano, isso significa que o item pode representar uma parcela recorrente do orçamento.
Pneus também entram na conta. A vida útil estimada fica entre 10 mil e 15 mil quilômetros, enquanto cada unidade pode custar de R$ 200 a R$ 500, dependendo da especificação e da marca.
Pastilhas de freio ficam na faixa de R$ 80 a R$ 150, enquanto revisões periódicas podem custar aproximadamente R$ 200 a R$ 500.
Considerando um uso moderado, a estimativa anual de manutenção fica entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil.
Combustível é uma das principais despesas
A economia de combustível é justamente um dos fatores que tornam as motocicletas atraentes em comparação aos carros. Modelos de baixa cilindrada, entre 125 cc e 160 cc, podem alcançar até 40 km/l, dependendo das condições de uso.
No exemplo de uma moto de 150 cc percorrendo 1.000 quilômetros por mês, um consumo médio de 40 km/l resultaria em aproximadamente 25 litros de gasolina mensais.
Considerando gasolina a R$ 6 por litro, o gasto seria de aproximadamente R$ 150 por mês, ou R$ 1.800 ao longo de 12 meses.
O valor real, naturalmente, pode ser maior ou menor conforme o preço do combustível, o trânsito, o estilo de condução, a manutenção da moto e o consumo efetivamente obtido.











