A maioria dos eleitores brasileiros que recebem o Bolsa Família acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencerá a eleição presidencial de 2026. Segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 78% dos beneficiários consultados apostam na vitória do petista em outubro, enquanto apenas 14% esperam que o senador Flávio Bolsonaro (PL) conquiste a Presidência.
A diferença aparece de forma mais acentuada quando o eleitorado é dividido entre beneficiários e não beneficiários do programa social. Entre aqueles que não recebem o Bolsa Família, Lula continua sendo apontado como favorito, mas a expectativa de vitória cai para 51%. Nesse grupo, 40% acreditam que o candidato do PL chegará ao Palácio do Planalto.
No conjunto do eleitorado, independentemente de receber ou não o benefício, 54% esperam uma vitória do candidato petista. Já 37% apostam no candidato do PL. Os demais nomes cotados para a disputa aparecem com percentuais menores, enquanto 8% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder quem acreditam que vencerá a eleição.
Bolsa Família volta a crescer em ano eleitoral
A pesquisa foi divulgada em meio a uma nova mudança no perfil dos beneficiários do principal programa de transferência de renda do governo federal.
O número de pessoas que vivem sozinhas e recebem o Bolsa Família chegou a 3,9 milhões em julho de 2026, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo. O resultado representa um aumento de aproximadamente 344 mil beneficiários nessa categoria desde janeiro, quando havia cerca de 3,5 milhões.
A expansão chama atenção porque interrompe uma trajetória de redução registrada depois de uma ampla revisão dos cadastros do programa. A fiscalização havia buscado identificar registros considerados irregulares, especialmente casos em que integrantes de uma mesma família apareciam como moradores independentes para aumentar o acesso aos pagamentos.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), porém, afirma que a oscilação observada em 2026 está relacionada ao fluxo normal de entrada e saída do programa e não identifica evidências de uma nova divisão artificial de famílias.
Programa foi relançado por Lula em 2023
O Bolsa Família é uma das principais políticas sociais associadas ao atual governo. O programa foi relançado por Lula em março de 2023, durante o primeiro ano de seu terceiro mandato, substituindo o modelo adotado anteriormente.
Entre as mudanças implementadas esteve a definição dos pagamentos levando em consideração o tamanho das famílias. A proposta buscou aumentar a correspondência entre o valor recebido e a quantidade de pessoas que dependem daquela renda.
Outra promessa cumprida pelo governo foi a manutenção do benefício mínimo de R$ 600 por família.
A legislação que regulamenta o novo Bolsa Família prevê que os valores podem ser atualizados em um intervalo de até dois anos. De acordo com a interpretação do governo, a norma permite a revisão dos pagamentos, mas não determina que ela ocorra obrigatoriamente.
Dados indicam mais saídas do que entradas
Apesar das críticas de que programas de transferência de renda poderiam estimular a permanência prolongada das famílias na dependência do benefício, dados sobre a movimentação do Bolsa Família apontam para outra dinâmica.
Uma análise dos três primeiros anos do programa relançado em 2023 indica uma média mensal de aproximadamente 447 mil desligamentos, enquanto cerca de 359 mil pessoas entraram no programa a cada mês.
O resultado significa que, no período analisado, o número médio de famílias deixando o Bolsa Família superou o de novos beneficiários incorporados ao programa.
Estudos citados da Fundação Getulio Vargas (FGV) também apontam que parte dos antigos beneficiários deixa não apenas o programa de transferência de renda, mas também o Cadastro Único, à medida que consegue melhorar sua situação socioeconômica e acessar empregos formais.











