Milhões de brasileiros ainda podem ter dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras. O Banco Central informou nesta terça-feira (11) que R$ 5,12 bilhões permanecem disponíveis para devolução por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR). Desse total, R$ 3,77 bilhões pertencem a pessoas físicas, enquanto R$ 1,36 bilhão está relacionado a empresas.
O levantamento considera valores registrados até junho de 2026 e mostra que, apesar da redução expressiva em relação aos meses anteriores, ainda existe uma quantia bilionária aguardando pelos respectivos titulares. Atualmente, 22,66 milhões de pessoas físicas e 2,1 milhões de empresas aparecem entre os beneficiários que ainda não retiraram os recursos.
Desde o início do funcionamento do sistema, o Banco Central já devolveu R$ 15,8 bilhões a cidadãos e empresas. Considerando tanto os valores que ainda podem ser resgatados quanto aqueles que já foram pagos, o volume histórico movimentado pelo SVR chega a R$ 20,9 bilhões.

Pessoas físicas concentram a maior parte dos valores
Os brasileiros representam a maior parcela dos recursos que ainda estão disponíveis. Dos R$ 5,12 bilhões pendentes, R$ 3,77 bilhões estão vinculados a pessoas físicas.
O histórico de resgates também mostra a predominância desse grupo. Até agora, 38,7 milhões de pessoas físicas conseguiram recuperar aproximadamente R$ 11,6 bilhões esquecidos em instituições financeiras.
No caso das empresas, 4,7 milhões de pessoas jurídicas já receberam de volta cerca de R$ 4,15 bilhões.
A quantia atualmente disponível, portanto, é bem menor do que a registrada em fevereiro deste ano, quando o montante de recursos esquecidos ultrapassava R$ 10,5 bilhões.
Bancos concentram R$ 2,2 bilhões esquecidos
Os recursos não estão necessariamente parados apenas em contas bancárias tradicionais. O detalhamento do Sistema de Valores a Receber mostra que os bancos concentram cerca de R$ 2,2 bilhões que ainda aguardam solicitação dos titulares.
O sistema também reúne valores vinculados a diferentes instituições financeiras e situações que podem fazer com que o dinheiro permaneça sem movimentação por longos períodos.
Para saber se existe algum valor disponível, o cidadão deve consultar o Sistema de Valores a Receber do Banco Central e verificar a existência de recursos vinculados ao seu CPF. Em caso de saldo, o próprio sistema apresenta as orientações necessárias para solicitar a devolução.
Dinheiro esquecido também foi utilizado em programa de renegociação
A redução do estoque de valores disponíveis também está relacionada a uma medida adotada pelo governo federal. Em março, o Banco Central havia informado a existência de aproximadamente R$ 10,6 bilhões esquecidos nas instituições financeiras.
Parte desse montante acabou sendo transferida para um fundo público com o objetivo de viabilizar a segunda edição do Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas bancárias.
Em maio, o governo anunciou que pretendia utilizar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões desses recursos para oferecer suporte às renegociações. No fim daquele mês, aproximadamente R$ 5,7 bilhões foram destinados ao Fundo de Garantia de Operações (FGO), utilizado para fornecer garantias às instituições financeiras participantes.
A utilização do dinheiro, porém, passou a ser analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Técnicos do órgão investigam a utilização de recursos em programas federais fora do orçamento público.
Uso dos recursos levanta discussão sobre o orçamento
A questão envolve o fato de que os valores utilizados para o programa não passam diretamente pelo Orçamento da União e, dessa forma, não ficam submetidos ao limite de despesas estabelecido pelas regras fiscais.
Pelas normas vigentes, as despesas públicas não podem crescer mais de 2,5% ao ano acima da inflação. Caso os recursos fossem incorporados formalmente ao orçamento, o governo precisaria compensar o montante com bloqueios em outras despesas discricionárias.
O Executivo já informou que bloqueou R$ 23,7 bilhões do orçamento dos ministérios em 2026 para cumprir o limite de despesas.











