A fila de requerimentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentou queda nos últimos meses, passando de 3,1 milhões de pedidos em fevereiro para 2,6 milhões em abril de 2026. A redução de cerca de 500 mil solicitações foi divulgada durante a 324ª reunião do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), em Brasília, e indica um recuo de aproximadamente 16% no período.
Apesar do avanço, o volume de processos ainda é considerado elevado e evidencia um desafio estrutural enfrentado pelo sistema previdenciário brasileiro, que há anos lida com dificuldades para atender à demanda dentro dos prazos legais.
Na tentativa de reduzir ainda mais o tempo de espera, o governo federal anunciou o programa “Acelera INSS”, com duração prevista de 90 dias. A iniciativa tem como foco principal agilizar a análise de benefícios que estão parados há mais de 45 dias, prazo considerado legal para resposta ao cidadão.
A meta é reduzir o estoque desses pedidos para menos de 400 mil até o fim do período. Para isso, o plano inclui medidas como mutirões de atendimento em todo o país, reforço no quadro de funcionários e ajustes operacionais nos sistemas internos.
Entre as ações previstas estão a nomeação de 300 assistentes sociais, a solicitação de mais 300 servidores e a abertura de um novo concurso público com até 2 mil vagas. Segundo a presidência do INSS, a proposta busca não apenas diminuir a fila, mas reorganizar o fluxo de atendimento e tornar o sistema mais eficiente.
Mudanças nas regras buscam conter novos atrasos
Além do reforço operacional, o INSS também adotou mudanças para evitar o aumento da fila. Uma nova norma limita a realização de múltiplos pedidos para o mesmo tipo de benefício enquanto ainda houver prazo para recurso da solicitação anterior.
Na prática, o segurado deverá aguardar até 30 dias após a resposta do órgão antes de fazer um novo pedido. A medida foi adotada após o instituto identificar que uma parcela significativa das solicitações era duplicada, o que contribuía para o congestionamento do sistema.
Dados internos apontam que mais de 40% dos pedidos reaparecem em até 30 dias após a conclusão do processo inicial, o que gera sobrecarga e dificulta o andamento das análises.
A redução da fila representa um alívio parcial para milhões de brasileiros que aguardam respostas sobre aposentadorias, pensões e outros benefícios. No entanto, o número ainda elevado de processos mostra que o desafio está longe de ser resolvido.




