Uma gigantesca reserva de minério de ferro localizada na região de Hamersley, no oeste da Austrália, voltou ao centro das atenções da comunidade científica após pesquisadores identificarem que sua formação é muito mais recente do que se imaginava. O depósito, situado no Cráton de Pilbara, concentra cerca de 55 bilhões de toneladas métricas de minério de alta qualidade e possui valor estimado em aproximadamente US$ 5,7 trilhões, cerca de R$ 30 trilhões na cotação atual.
A descoberta foi liderada por pesquisadores da Curtin University, que utilizaram técnicas avançadas de datação isotópica de urânio-chumbo para revisar a idade das formações geológicas. O estudo foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.
Até então, geólogos acreditavam que os depósitos mais ricos da região haviam se formado há cerca de 2,2 bilhões de anos, período associado ao chamado Grande Evento de Oxidação da Terra. No entanto, a nova análise apontou que a formação principal ocorreu entre 1,4 bilhão e 1,1 bilhão de anos atrás, quase 800 milhões de anos mais tarde do que o consenso científico indicava.

Descoberta muda entendimento sobre origem do minério
Segundo os pesquisadores, a revisão da cronologia altera profundamente a explicação sobre a formação das maiores reservas de ferro do planeta.
O estudo relaciona a concentração do minério à fragmentação do supercontinente Columbia, evento tectônico ocorrido entre 1,5 bilhão e 1,3 bilhão de anos atrás. Conforme os continentes se separavam, calor e pressão teriam impulsionado fluidos ricos em ferro através de fraturas profundas na crosta terrestre.
Ao se aproximarem da superfície, esses fluidos esfriaram e concentraram o minério ao longo de milhões de anos, elevando o teor de ferro das rochas de aproximadamente 30% para mais de 60%.
Esse nível coloca Hamersley entre os minérios mais ricos já documentados no mundo, com qualidade muito acima da média global e capacidade de abastecer diretamente a indústria siderúrgica com menor necessidade de processamento.
Região já sustenta economia australiana
A província de Hamersley não é uma descoberta inédita, mas sim uma das áreas mineradoras mais importantes do planeta. Atualmente, cerca de 96% das exportações australianas de minério de ferro correspondem ao tipo hematita de alta qualidade extraído principalmente dessa região.
Depois do cobre, o minério de ferro figura entre os pilares da economia australiana e abastece mercados estratégicos como China, Japão e Brasil.
A Austrália segue como maior produtora mundial de minério de ferro, matéria-prima essencial para produção de aço utilizado em setores como construção civil, transporte, infraestrutura e transição energética.
Estudo pode ajudar a encontrar novas jazidas
Os cientistas afirmam que a nova compreensão sobre a formação dessas reservas poderá ajudar na localização de depósitos semelhantes em outras partes do mundo.
Regiões que passaram por ciclos parecidos de fragmentação e reorganização continental, como áreas da África do Sul, Canadá e do próprio Brasil, passaram a ser vistas com maior potencial para novas descobertas minerais de grande escala.
Apesar da repercussão internacional, pesquisadores ressaltam que o estudo não representa a descoberta de uma nova montanha de minério escondida na Austrália, mas sim uma revisão histórica sobre quando e como a maior província mineral de ferro da Terra se formou.



