Segundo uma nota técnica interna do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), à qual a GloboNews teria tido acesso, haveria um prejuízo estimado de R$ 233,2 milhões decorrente de supostas falhas consecutivas em sistemas operacionais utilizados por servidores do instituto para a análise e concessão de aposentadorias, pensões e auxílios.
De acordo com o documento, a Dataprev, empresa de tecnologia responsável por gerenciar esses sistemas, teria sido a gestora das ferramentas que apresentariam problemas. Ainda conforme a nota técnica, que abrangeria um período de quinze meses, de 5% a 15% das análises de benefícios teriam sido afetadas.
Em meses específicos, sempre segundo o documento, os percentuais de impacto teriam alcançado patamares mais elevados. Em um dos meses analisados, quase 40% das análises teriam sido comprometidas.
Em outro mês, o índice chegaria a aproximadamente 30%. Pessoas ligadas ao instituto, conforme apurou a GloboNews, teriam afirmado que as falhas apontadas afetariam diretamente a velocidade de redução da chamada fila do INSS.
O prejuízo, ainda de acordo com a nota técnica, corresponderia ao custo da remuneração de servidores que, embora à disposição, teriam ficado impedidos de trabalhar devido a supostos problemas tecnológicos.
De acordo com fontes ouvidas pela GloboNews, esse entrave com a Dataprev seria um dos fatores que teriam pesado na demissão do ex-presidente do órgão, Gilberto Waller, que teria deixado a função em uma segunda-feira, sendo substituído pela servidora de carreira Ana Cristina Silveira.
Andamento das filas
O relatório interno evidenciaria, segundo a nota técnica, que a questão tecnológica figuraria entre os principais obstáculos ao andamento das filas. Durante os quinze meses analisados, aproximadamente 1,75 milhão de processos teriam deixado de ser analisados em decorrência direta das falhas, comprometendo cerca de 15,72% da capacidade produtiva potencial do instituto no período, sempre conforme o documento.
Os dados da nota técnica indicariam que as instabilidades não teriam sido uniformes, com picos de impacto de 39,8%, 38,9% e 28,6% sobre a produção.




