O futebol de Minas Gerais passou a ser marcado por uma nova era de investimentos bilionários, protagonizada por dois empresários que também são torcedores declarados dos clubes que comandam: Rubens Menin, no Atlético-MG, e Pedro Lourenço, o Pedrinho BH, no Cruzeiro. Embora ambos tenham forte presença no cenário esportivo, suas estruturas de negócios e formas de controle das SAFs são bastante distintas.
De um lado, o Cruzeiro tem governança centralizada nas mãos de Pedrinho BH, que detém 90% das ações da SAF celeste. Do outro, o Atlético-MG adota um modelo pulverizado, com controle exercido pela Galo Holding, que reúne investidores do mercado financeiro e imobiliário e concentra 75% da sociedade anônima do futebol alvinegro.
Pedro Lourenço construiu a trajetória no setor varejista. Fundador do Supermercados BH, o empresário transformou uma única loja aberta aos 40 anos em uma das maiores redes do país, hoje com mais de 300 unidades em Minas Gerais e no Espírito Santo.
Segundo dados enviados à Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a rede registrou faturamento de R$ 25,7 bilhões em 2025, garantindo a primeira posição em Minas Gerais e o quarto lugar no ranking nacional do setor.
Embora o grupo não divulgue balanços completos ao mercado, os números oficiais repassados à Abras mostram a dimensão do negócio que sustenta a atuação de Pedrinho no futebol. Além de controlador da SAF do Cruzeiro, ele também é credor da associação do clube, com mais de R$ 28 milhões a receber no processo de recuperação judicial.
O empresário ainda reforçou presença no clube com investimentos diretos desde a compra de 90% da SAF, em negociação estimada em cerca de R$ 600 milhões após a saída de Ronaldo. Sob sua gestão, o Cruzeiro ampliou o investimento em reforços e anunciou nomes como Cássio, Jonathan Jesus, Kaio Jorge, Lautaro Díaz e a permanência de Matheus Pereira.
Rubens Menin e a Galo Holding: estrutura compartilhada no Atlético
No Atlético-MG, o modelo é diferente. A SAF é administrada pela Galo Holding, criada em novembro de 2023, que detém 75% das ações do clube. A estrutura foi formada com aporte inicial superior a R$ 900 milhões e concentra ativos estratégicos como a Arena MRV e a Cidade do Galo. Os 25% restantes seguem com a associação civil, responsável pelas atividades sociais e esportivas.
Entre os principais investidores está Rubens Menin, que atua ao lado de outros nomes do mercado financeiro e imobiliário, como Rafael Menin e Ricardo Guimarães.
O empresário já aportou mais de R$ 400 milhões no futebol do Atlético desde 2020, além de ter cedido o terreno para a construção da Arena MRV e contribuído com empréstimos ao clube para pagamento de dívidas e investimentos no elenco.
A força financeira de Rubens Menin vem de um portfólio diversificado. No setor imobiliário, a MRV, fundada em 1979, já entregou mais de 550 mil imóveis e tem valor de mercado próximo a R$ 4,9 bilhões na B3, onde o empresário controla cerca de 32,5% das ações.
Outro pilar é o Banco Inter, que cresceu de 200 mil para 43 milhões de clientes em sete anos e registrou lucro estimado em R$ 1,3 bilhão em 2025, segundo projeções de mercado.




