Os funcionários do Metrô de São Paulo decidiram cancelar a greve que poderia afetar milhares de passageiros na capital paulista nesta quarta-feira (13). A decisão foi tomada durante assembleia realizada pelo sindicato da categoria na noite de terça-feira (12), após aceitação de uma proposta apresentada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Com isso, as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata devem funcionar normalmente.
A votação terminou pouco antes das 22h e foi marcada por divisão entre os trabalhadores. Segundo o sindicato, 1.500 metroviários votaram contra a paralisação, enquanto 1.294 foram favoráveis à greve. Outros 145 participantes se abstiveram.
Apesar do cancelamento da greve, os metroviários afirmaram que continuarão mobilizados em defesa das reivindicações da categoria.
Entre os principais pontos cobrados pelos trabalhadores estão:
- realização de concursos públicos;
- contratação de novos funcionários;
- mudanças relacionadas ao plano de saúde;
- igualdade salarial;
- negociações sobre Participação nos Resultados (PR);
- críticas ao processo de privatização do sistema.
Segundo lideranças sindicais, o quadro de funcionários do Metrô foi reduzido nos últimos anos e a falta de novos concursos aumentou a sobrecarga de trabalho nas estações e linhas operadas pela companhia.
“A gente continua a nossa luta, a nossa campanha por concurso público, contratação e pelas resoluções das questões do Metrus. Hoje a categoria optou por não seguir com a greve, e isso faz parte da luta, mas nós continuamos mobilizados contra a privatização e em defesa de toda a pauta”, afirmou um dirigente sindical após a assembleia.
Outra liderança declarou que futuras paralisações não estão descartadas.
Governo e direção do Metrô foram alvo de críticas
Durante a assembleia, representantes sindicais fizeram críticas à direção do Metrô e ao governo estadual. O presidente da companhia, Julio Castiglioni Neto, foi citado diversas vezes nos discursos dos trabalhadores.
Os metroviários afirmam que tentaram negociar as reivindicações com a direção do Metrô e com o governo paulista, mas alegam falta de avanço nas discussões. A categoria também critica a ausência de concursos públicos há cerca de dez anos.
Plano emergencial chegou a ser preparado
Antes da decisão da assembleia, autoridades já discutiam a possibilidade de acionar a Operação PAESE (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência), organizada pela SPTrans.
O esquema emergencial prevê o uso de centenas de ônibus gratuitos para atender passageiros em casos de paralisação do sistema sobre trilhos.
Dependendo da dimensão da greve, mais de 300 veículos poderiam ser colocados em circulação para cobrir trechos afetados do Metrô, da CPTM e de linhas metropolitanas.




