Uma nova sequência de eventos no Sol deve aumentar a atividade geomagnética da Terra nos próximos dias. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) emitiu alertas para tempestades geomagnéticas entre 27 e 29 de agosto, com previsão de intensidade G1 na quinta-feira (27) e G2, considerada moderada, na sexta (28) e no sábado (29).
A escala utilizada para classificar tempestades geomagnéticas vai de G1, o nível mais baixo, a G5, o mais extremo. Embora os níveis previstos não estejam entre os mais severos, o fenômeno pode provocar efeitos em sistemas tecnológicos e aumentar a possibilidade de um espetáculo natural raro para determinadas regiões: as auroras.
O alerta está relacionado à chegada de material lançado pelo Sol após uma série de erupções recentes. Cientistas acompanham a trajetória das estruturas para determinar com maior precisão a intensidade dos efeitos quando elas interagirem com o campo magnético terrestre.

Erupções solares lançaram material em direção à Terra
A atividade aumentou após uma poderosa erupção registrada em 25 de agosto, originada na região ativa de manchas solares 4513. O evento foi classificado como M6.9, uma categoria considerada forte dentro da classificação das explosões solares.
As erupções solares são classificadas em cinco categorias — A, B, C, M e X —, sendo cada classe dez vezes mais intensa que a anterior. As explosões M estão, portanto, abaixo apenas das da classe X.
A atividade registrada na região 4513 foi intensa: foram identificadas várias erupções nas horas anteriores, incluindo cinco eventos da classe M.
A explosão também provocou um apagão de rádio de nível R2, considerado moderado, no lado iluminado da Terra. Comunicações de alta frequência foram afetadas principalmente em áreas da África, Europa e do Ártico.
Além da radiação emitida pelas erupções, o Sol lançou diversas ejeções de massa coronal (CMEs), enormes nuvens de plasma e material solar que se deslocam pelo espaço. Algumas delas estão no caminho da Terra.
O que pode acontecer quando o material chegar?
As ejeções de massa coronal podem interagir com o campo magnético terrestre e desencadear tempestades geomagnéticas. A intensidade do fenômeno depende de vários fatores, principalmente da velocidade da ejeção e da orientação do seu campo magnético no momento em que alcançar a Terra.
Antes da chegada das CMEs, uma corrente de vento solar de alta velocidade, originada em um buraco coronal do Sol, também deve atingir o planeta. Essa corrente motivou o alerta de tempestade G1 para 27 de agosto.
A previsão indica condições que podem variar entre G1 e G2 durante o período de 27 e 28 de agosto, devido à combinação entre o vento solar acelerado e a chegada do material expelido pelo Sol.
Caso as estruturas atinjam a Terra de maneira mais favorável à interação com o campo magnético, a atividade geomagnética poderá aumentar.
Auroras podem aparecer mais longe dos polos
Um dos efeitos mais impressionantes das tempestades geomagnéticas é a possibilidade de expansão das auroras polares para latitudes mais baixas.
Durante uma tempestade G2, as auroras podem avançar mais para o sul no Hemisfério Norte e se tornar visíveis em partes do norte dos Estados Unidos e da Europa, regiões que normalmente estão fora das áreas mais favoráveis à observação do fenômeno.
Isso acontece porque partículas carregadas provenientes do Sol interagem com o campo magnético e com a atmosfera terrestre. A energia liberada nessas interações pode produzir as conhecidas cortinas luminosas coloridas no céu.
No entanto, a possibilidade de observação não significa que as auroras serão visíveis em qualquer lugar. A intensidade final da tempestade, o horário da chegada do material, as condições atmosféricas e a localização geográfica são determinantes.
Fenômeno também exige atenção tecnológica
As tempestades solares não representam apenas um espetáculo visual. Explosões e ejeções de massa coronal podem interferir em comunicações de rádio, redes elétricas e sinais de navegação, além de aumentar os riscos para satélites, espaçonaves e astronautas.
Por isso, os especialistas acompanham continuamente a atividade do Sol para atualizar as previsões conforme os eventos se aproximam da Terra.
A intensidade definitiva da tempestade ainda depende de como o campo magnético das ejeções estará orientado quando elas alcançarem o planeta.











