Turistas que viajarem pela Inglaterra poderão ter de pagar mais pelas diárias de hotéis, pousadas, Airbnb e outros tipos de hospedagem caso uma nova proposta do governo britânico avance. A medida prevê conceder aos prefeitos poderes para criar uma cobrança adicional sobre o valor das estadias, conhecida como “taxa turística”, sem estabelecer inicialmente um limite máximo para o percentual que poderá ser aplicado.
A proposta foi apresentada na quinta-feira por Angela Rayner, secretária do governo local, e representa uma das mais amplas novas competências de arrecadação concedidas às lideranças regionais. A intenção do governo é permitir que o dinheiro obtido seja reinvestido nas próprias localidades, incluindo áreas comerciais e sistemas de transporte público.
A iniciativa, porém, provocou reação imediata do setor de hospitalidade. A entidade UKHospitality afirmou que empregos podem estar em risco e advertiu que a nova cobrança poderá encarecer as viagens familiares, especialmente se os prefeitos explorarem a possibilidade de estabelecer alíquotas superiores ao percentual defendido por algumas regiões.

Prefeitos trabalhistas propõem teto de 5%
Embora a proposta do governo não determine um teto para a cobrança, os prefeitos trabalhistas de dez regiões metropolitanas da Inglaterra afirmaram que, caso adotem a medida, limitarão voluntariamente a taxa a 5% do valor da hospedagem.
Em carta enviada ao chanceler John Healey e a Angela Rayner, os líderes regionais classificaram os 5% como um “teto razoável”. Segundo eles, o percentual permitiria arrecadar recursos para investimentos locais sem criar cobranças consideradas excessivas ou diferenças muito grandes entre as regiões.
O documento foi assinado pelos prefeitos trabalhistas de Londres, Greater Manchester, Liverpool City Region, West Midlands, North East, West of England, West Yorkshire, South Yorkshire, East Midlands e York and North Yorkshire.
A proposta também permitirá que determinadas modalidades de hospedagem sejam isentas, como acampamentos. Por outro lado, os prefeitos não poderão excluir regiões inteiras de seus territórios da cobrança, medida pensada para evitar confusão entre turistas e empresas sobre onde a taxa é aplicada.
Setor teme impacto nas férias das famílias
A possibilidade de uma cobrança sem limite máximo definido provocou preocupação entre representantes da indústria turística. Allen Simpson, diretor-executivo da UKHospitality, estimou que uma taxa desse tipo poderia acrescentar entre £100 e £120, em média, ao custo de uma viagem familiar pela Inglaterra.
O executivo também alertou que o impacto poderia atingir empreendimentos turísticos que operam nos períodos intermediários entre a alta e a baixa temporada. Na avaliação do setor, custos adicionais poderiam dificultar a abertura de parques e outros estabelecimentos nesses períodos e reduzir o dinheiro disponível para os próprios turistas durante as viagens.
A oposição também criticou a proposta. O secretário-sombra de Habitação do Partido Conservador, David Simmonds, afirmou que hotéis já enfrentam uma alíquota de 20% de IVA e argumentou que a nova taxa representaria uma cobrança adicional sobre o setor.
O líder do Reform UK, Nigel Farage, classificou a medida como um “imposto sobre férias” e afirmou que os prefeitos de seu partido em Greater Lincolnshire e Hull and East Yorkshire não pretendem adotá-la. Os dois prefeitos regionais do Reform UK e os dois conservadores devem se opor à criação da cobrança, seguindo as críticas feitas nacionalmente pelos respectivos partidos.
Medida já tem precedentes no Reino Unido
Apesar da controvérsia, a cobrança sobre hospedagens não seria inédita no Reino Unido. Edimburgo, na Escócia, passou a aplicar em julho uma taxa turística de 5% sobre estadias noturnas.
Na Inglaterra, Manchester e Liverpool já possuem sistemas voluntários de contribuição para o turismo. Em Manchester, existe uma cobrança de £1 por quarto e por noite, enquanto Liverpool aplica £2 por noite. Nesses casos, os mecanismos foram estabelecidos com participação do setor empresarial, e os hotéis optam por reunir os valores arrecadados para financiar iniciativas relacionadas ao turismo local.
A ideia de ampliar esse tipo de cobrança para outras regiões inglesas foi levantada inicialmente durante o governo de Keir Starmer, em novembro, e segue modelos já adotados em diferentes destinos da Europa.
O governo britânico afirma ainda que pretende proteger as opções de hospedagem mais baratas, garantindo que acomodações de menor custo paguem as menores taxas. A cobrança deverá atingir tanto turistas estrangeiros quanto os próprios britânicos que viajarem dentro da Inglaterra.











