Recentemente, pesquisadores fizeram uma descoberta inusitada no Deserto do Atacama, no norte do Chile: eles encontraram um dente fossilizado de uma capivara que teria vivido naquela região há quase nove milhões de anos. Essa descoberta está sendo descrita em um artigo em fase de publicação na revista Scientific Reports da Nature, de acordo com o site da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.
Por que é tão estranho encontrar um dente de capivara no Deserto do Atacama?
E talvez você esteja se perguntando: por que essa descoberta é tão inusitada? Vamos por partes: a primeira é que, nos dias de hoje, não existem capivaras no Chile. Em lugar nenhum do Chile. Então encontrar um dente fossilizado desse animal desafia a concepções que tínhamos até então do animal. Mas além disso, a descoberta também coloca em xeque uma concepção de que o Deserto do Atacama é uma das regiões secas mais antigas do planeta, com cerca de 40 milhões de anos.
A questão é que as capivaras não são animais de deserto. Elas têm um estilo de vida semi-aquático, o que faz com elas vivam perto de onde tem água superficial, vegetação de áreas úmicas e corredores ribeirinhos. “Não temos nenhuma outra evidência da presença de capivaras naquela parte do litoral chileno”, aponta a coautora Barbara Carrapa, professora de Geociências da Universidade do Arizona. “Elas não deveriam estar lá. Então, imediatamente nos perguntamos: ‘Por que elas estavam lá? De onde vieram?'”
Os autores propõem que as capivaras chegaram à região do Atacama aproveitando os pântanos de baixa altitude que conectavam sua área de distribuição original ao longo das regiões costeiras.











