Conhecida pela taxa de mortalidade próxima de 100% após o surgimento dos sintomas, a raiva segue sendo uma das doenças virais mais letais do mundo mesmo após milhares de anos de registros históricos. A enfermidade, causada pelo vírus da raiva — pertencente ao gênero Lyssavirus — provoca alterações neurológicas graves, deixando pacientes agressivos, desorientados e, em muitos casos, em estado de delírio antes da morte.
Há registros históricos da doença desde aproximadamente 2300 a.C., na antiga Babilônia, e relatos médicos detalhados aparecem já no século I d.C., quando o estudioso romano Celsus descreveu que a transmissão ocorria por meio da saliva de animais infectados.
A doença atinge mamíferos como cães, gatos, morcegos, macacos, bovinos e animais silvestres, além dos seres humanos. A transmissão ocorre principalmente por mordidas, arranhões ou contato da saliva contaminada com ferimentos abertos.

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Vírus ataca o cérebro e provoca sintomas neurológicos severos
Depois da infecção, o vírus viaja lentamente pelos nervos até atingir o cérebro. O período pode durar dias ou semanas, tempo em que a pessoa normalmente não apresenta sintomas.
Quando o sistema nervoso central é afetado, surgem inicialmente sinais semelhantes aos de uma gripe, como febre, dores musculares, fadiga e mal-estar. Em seguida, aparecem os sintomas neurológicos graves.
Entre os principais sinais da chamada “raiva furiosa” estão:
- agressividade;
- agitação;
- convulsões;
- alucinações;
- espasmos musculares;
- salivação excessiva;
- paralisia facial;
- delírios;
- medo intenso de água, conhecido como hidrofobia;
- medo de correntes de ar, chamado aerofobia.
Em parte dos casos, a doença evolui para uma forma paralítica, marcada por fraqueza muscular progressiva, paralisia e coma.
Especialistas alertam que, após o início dos sintomas, a sobrevivência é extremamente rara. Os poucos pacientes que sobrevivem geralmente apresentam sequelas neurológicas graves.
Morcegos e cães estão entre os principais transmissores
Segundo autoridades de saúde, os morcegos estão entre os animais que mais transmitem a doença em diversos países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a maioria dos casos humanos recentes está associada a mordidas de morcegos, muitas vezes imperceptíveis devido ao pequeno tamanho dos dentes do animal.

Já em países da Índia e outras regiões da Ásia e África, cães domésticos continuam sendo os principais responsáveis pela transmissão. Estimativas internacionais apontam que cerca de 59 mil pessoas morrem por raiva todos os anos no mundo, sendo aproximadamente 40% crianças.
Profissionais que trabalham diretamente com animais, como veterinários, biólogos, equipes de zoonoses e funcionários de zoológicos, estão entre os grupos considerados de maior risco de exposição ao vírus.
Vacinação após mordida pode evitar a morte
Apesar da gravidade da doença, a raiva pode ser evitada se o tratamento for iniciado rapidamente após a exposição.
A profilaxia pós-exposição inclui limpeza imediata do ferimento e aplicação de vacina antirrábica antes do aparecimento dos sintomas.
O primeiro tratamento eficaz contra a doença foi desenvolvido no século XIX pelo cientista francês Louis Pasteur. Em 1885, ele aplicou pela primeira vez uma vacina experimental em um menino de 9 anos atacado por um cão infectado. O garoto sobreviveu, e o método passou a ser utilizado mundialmente.
A data de 28 de setembro foi escolhida como o Dia Mundial da Raiva em homenagem à morte de Pasteur. A campanha é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde e busca ampliar ações para eliminar a transmissão da doença até 2030.



