Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão sendo alvo de uma nova modalidade de fraude que utiliza a prova de vida como pretexto para roubar informações pessoais e financeiras. Os criminosos entram em contato por telefone, mensagens ou até mesmo visitam residências alegando a necessidade de atualização cadastral urgente para evitar a suspensão do benefício.
A prática tem preocupado especialistas e autoridades, principalmente porque explora o receio de milhares de segurados de perderem o pagamento mensal. Atualmente, porém, o INSS reforça que a prova de vida é feita prioritariamente de forma automática, sem a necessidade de contatos por telefone, WhatsApp, SMS ou videochamadas.
A fraude normalmente começa com uma ligação que transmite senso de urgência. Os criminosos afirmam que o benefício está prestes a ser suspenso e solicitam informações para supostamente regularizar a situação.
Durante o contato, os golpistas costumam pedir:
- CPF e dados pessoais;
- Número do benefício;
- Informações bancárias;
- Senhas e códigos recebidos por SMS;
- Fotografias de documentos;
- Biometria facial por vídeo.
Em alguns casos, a vítima recebe links falsos que imitam plataformas oficiais do governo ou é orientada a instalar aplicativos que podem permitir acesso remoto ao celular.
Outra estratégia identificada é a realização de videochamadas. Nelas, os criminosos pedem selfies, movimentos específicos do rosto ou leitura de códigos de verificação, imagens que posteriormente podem ser utilizadas em fraudes de autenticação biométrica.
O que diz o INSS
O instituto esclarece que não realiza prova de vida por telefone, WhatsApp, SMS ou videochamada. Atualmente, a comprovação ocorre por meio do cruzamento automático de informações presentes em bases públicas, como atualização de documentos, registros em órgãos governamentais e utilização de serviços públicos, incluindo atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Quando alguma ação do segurado é necessária, a comunicação acontece exclusivamente pelos canais oficiais do governo ou pelas instituições financeiras responsáveis pelo pagamento dos benefícios.
A orientação é que qualquer dúvida seja verificada apenas por meio do aplicativo Meu INSS ou pela Central 135.
Como se proteger
Especialistas recomendam que aposentados e pensionistas desconfiem de qualquer contato que solicite dados pessoais ou alegue urgência para evitar bloqueios de benefícios.
Entre as principais recomendações estão:
- Não fornecer senhas, códigos ou dados bancários por telefone;
- Não clicar em links recebidos por SMS ou WhatsApp sem verificar a origem;
- Não instalar aplicativos indicados por desconhecidos;
- Encerrar imediatamente chamadas suspeitas;
- Confirmar informações apenas pelos canais oficiais do INSS.
Fraudes atingem milhões de brasileiros
O alerta ganha ainda mais relevância diante do crescimento dos golpes digitais no país. Levantamento da TransUnion aponta que 40% dos brasileiros já foram alvo de fraudes por e-mail, internet, telefone ou mensagens de texto, enquanto 10% afirmaram ter sido vítimas desses crimes.
Segundo o estudo, as perdas médias entre os brasileiros que caíram em golpes chegaram a R$ 6.311. Em nível global, 53% dos entrevistados relataram ter sido alvo de tentativas de fraude entre agosto e dezembro de 2024.
A modalidade mais comum é o chamado vishing, quando criminosos realizam ligações fingindo representar empresas legítimas, bancos ou órgãos públicos para obter informações sigilosas das vítimas.
Os dados também mostram que 29% dos entrevistados sofreram prejuízos financeiros decorrentes de golpes no último ano, com perda média equivalente a cerca de R$ 10,6 mil. Entre as faixas etárias, a Geração Z foi a que mais relatou prejuízos, enquanto os Baby Boomers apresentaram o menor índice de perdas financeiras registradas.



