Pequenos negócios apostam na inclusão

Levantamento inédito do Sebrae Minas aponta que 66% dos empreendedores consultados mantêm a prática

27 de julho de 2023 às 0h26

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Celuta Utsch, Rafael Theodoro e Iaçanã Woyames fazem parte de comitê de diversidade na Prefácio | Crédito: Divulgação Prefácio Comunicação

Os pequenos empreendedores de Minas Gerais estão estimulando ações de promoção à diversidade em seus negócios, é o que mostra levantamento inédito do Sebrae Minas. A prática foi mencionada por 66% dos 1.126 empreendedores entrevistados de todo o Estado, entre os meses de maio e junho deste ano.

A analista da Unidade de Inteligência Empresarial e uma das responsáveis técnicas da pesquisa “Diversidade, Equidade e Inclusão”, do Sebrae Minas, Tábata Moreira, ressalta que 50% das pessoas entrevistadas acreditam que o tema é muito relevante. Ela frisa que há vários benefícios quando um empreendedor aposta na diversidade, entre eles, o econômico, em razão da oportunidade de inserção em novos mercados com o desenvolvimento de produtos, serviços e experiências inclusivas.

Outra vantagem apontada pela especialista é o aumento da criatividade e inovação com a inserção de grupos diversos da sociedade nas empresas, isto porque a pluralidade e diversidade de pessoas trazem perspectivas e soluções diversificadas na geração de novas soluções.

A diretora da Prefácio Comunicação e coordenadora do comitê de diversidade da empresa, Celuta Utsch, confirma que a diversidade é vantajosa para os negócios. “O ganho é enorme principalmente para uma agência de comunicação corporativa, que trabalha com criatividade e inovação”, frisa. Ela conta que a diversidade impacta positivamente nos projetos e na entrega aos clientes, que reconhecem a importância do tema.

Celuta Utsch conta que a ideia de ter o comitê, criado neste ano, foi inspirada nos clientes que estão demandando cada vez mais sobre o assunto. “Assim, passamos a estudar mais sobre o tema e contratar com base em critérios de diversidade, o que ainda é bem incipiente na empresa”, observa.

A equipe na agência, localizada em Belo Horizonte, é formada por pessoas de várias gerações, de 19 a 60 anos, e busca diversificar o seu quadro de colaboradores, em alguns casos, buscando em sites especializados, como o Trans Empregos.

Ações

Ainda de acordo com o levantamento do Sebrae Minas, entre os empreendedores que afirmaram promover ações de diversidade, a maioria (66%) disse que investe em iniciativas voltadas para a igualdade racial. Em seguida, 45% afirmaram que estimulam ações a fim de promover a igualdade de gênero, 40% visando a inclusão de pessoas mais velhas, e 28% voltadas aos direitos LGBTQIAPN+.

A pesquisa mostrou também que a maioria das pessoas que empreendem se autodeclara negras (49%), das quais 38% são pardas e 11% pretas. As declarantes brancas somaram 48% e estão inseridas predominantemente no porte de microempresa (MEI) e empresa de pequeno porte (ME).

A participação de pessoas pretas nesses perfis é de 5%, enquanto 14% delas são MEIs. Essa diferença, conforme análise do Sebrae, pode indicar uma dificuldade deste grupo a escalarem os seus negócios para um porte maior, como ME ou empresa de pequeno porte (EPP), devido a fatores relacionados ao racismo estrutural, que dificultam o acesso a empréstimos, à formação técnica relacionada à gestão e a falta de ampliação das políticas de ações afirmativas.

A pesquisa “Diversidade, Equidade e Inclusão” também abordou junto aos empreendedores entrevistados sobre a primeira ideia que vinha à cabeça sobre o tema diversidade no âmbito corporativo. A ideia que preponderou foi a de que “somos todos iguais”, apontada por 47% dos empreendedores ouvidos.
No que se refere à religião, a maioria das pessoas empreendedoras ouvidas são católicas (51%). Em seguida, evangélicas (22%), espíritas (7%), e religiões de matriz africana (2%) e outras (3%).

Faltam produtos voltados a minorias

Apesar do levantamento do Sebrae Minas mostrar que 66% dos empreendedores entrevistados afirmarem que promovem algum tipo de ação de promoção à diversidade, a analista Tábata Moreira, observa que a maioria dos entrevistados, 77% do total, afirmou que não possui nenhum produto ou serviço em sua empresa voltado especificamente para esse público — LGBTQIAPN+, pessoas com deficiências, de corpos diversos, negras ou mais velhas.

A especialista conta que a pesquisa vai de encontro a postura do Sebrae Minas com relação ao tema, que busca estimular ações em prol da diversidade, o que acontece de diversas maneiras, entre elas, o programa Sebrae de Plurais, cujo objetivo é sensibilizar, conscientizar, debater e promover a diversidade, a equidade e a inclusão, no âmbito interno, com os colaboradores, e nas relações com fornecedores e clientes da instituição.

Entre as ações do programa está a promoção de encontros, congressos e seminários para debater o assunto, além de iniciativas como o programa Sebrae Delas, que apoia e fomenta o empreendedorismo feminino.

A instituição também tem o projeto social do Núcleo de Empreendedorismo Juvenil (NEJ), da Escola do Sebrae, que oferece o curso técnico em administração gratuito para jovens da rede pública, em sua maioria jovens da periferia, pessoas negras e mulheres, além de grupos de pessoas com deficiência (PCD).

Pessoas acima de 50 anos encontram oportunidades

A sócia do café Rua do Jasmim, Luciana Castro, aposta na inclusão na hora de contratar. “A inclusão é necessária e urgente. E todo o negócio deveria ter dentro do escopo dos seus valores, a inclusão. Afinal, tudo o que não inclui, limita. E o meu negócio é para todos”, diz.

Hoje, dos seis colaboradores da empresa, duas têm mais de 50 anos. “Existe todo um processo de recursos humanos para entender o perfil do colaborador para aquela atividade, sabendo contratar a pessoa certa para a função certa, observando as competências técnicas e comportamentais de cada pessoa”, explica.

A empresária, que tem o espaço físico no bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, desde agosto do ano passado, lembra que a expectativa de vida está aumentando. Logo, as pessoas vão precisar atuar mais tempo no mercado de trabalho.

Luciana e Rodrigo Castro : inclusão é um dos valores da empresa | Crédito: Divulgação / Rua do Jasmim

Começo

Formada em relações internacionais, com atuação durante anos numa multinacional, Luciana Castro conta que começou a ingressar no mundo do empreendedorismo durante a pandemia. “Eu fiz um bolo caseiro para os meus filhos e postei na minha rede social e uma amiga perguntou se eu estava vendendo. Pensei, por que não? Eu acho que o empreendedor tem esse olhar de que tudo pode ser uma oportunidade”, diz.

O início da venda dos bolos começou em novembro de 2020. E no mês seguinte, o faturamento bruto com o produto chegou ao valor do salário na multinacional. “A aceitação foi muito grande. Teve uma empresa de arquitetura que me encomendou 90 bolos. Fiquei dois anos fazendo bolos na cozinha de casa”, lembra.

Para ela, um dos diferenciais do produto é o afeto. “Você pede bolo e recebe amor”, diz. Luciana Castro explica que na época da pandemia, muitas pessoas usavam o produto para presentear e chegavam a enviar para pessoas que tinham perdido um parente e a hoje empresária, na ocasião, escrevia cartões para as pessoas e fazia a entrega.

A empreendedora diz que na sua trajetória contou com o apoio do marido, também sócio, Rodrigo Castro, no desenvolvimento do negócio. “Ele é administrador com foco em hotelaria e tem um olhar mais técnico. Vamos fazer um ano e a gente tem vários dias de casa lotada”, frisa. Além dos produtos, o café é um espaço que conta com programação musical e de arte.

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