Identificamos em BH um grande potencial, disse Ronacher | Crédito: Divulgação

Modelo de negócio relativamente novo no Brasil, as search funds surgiram no País em 2010 e hoje somam 14 operações com aquisições em diferentes segmentos como software, aluguel de máquinas, logística, distribuição de produtos para saúde, educação, entre outros, em todo o território nacional. A mais recente delas escolheu Belo Horizonte como sede e prospecta, desde março, empresas nas áreas de saúde, tecnologia e logística.

Trata-se da Arco Capital, investidora com foco em adquirir pequenas e médias empresas em pleno crescimento, nas regiões Sudeste ou Centro-Sul brasileiras. A Arco possui um grupo de investidores estrangeiros experientes e está focada na busca de uma organização com faturamento anual entre R$ 20 milhões e R$ 100 milhões e saúde financeira saudável.

As informações são do CEO da Arco, Gabriel Ronacher. Segundo ele, esta é a segunda search fund a se instalar em Belo Horizonte. Cerca de 90% dos negócios do tipo do País tendem a operar em São Paulo não apenas pela cidade ser o centro econômico brasileiro, mas também pela representatividade no setor de fusões e aquisições.

“Identificamos em Belo Horizonte e, em Minas Gerais, um grande potencial, dada a força da economia local, a diversidade dos municípios e por ser uma região pouco explorada pelo setor. Além disso, o Estado abriga muitas empresas com origem familiar que operam por décadas e que se encaixam no nosso perfil”, justificou.

No entanto, Ronacher ponderou que não apenas empresas mineiras estão no radar da Arco, mas nacionais de uma forma geral. Para isso, desde março, toda equipe está imbuída na busca por negócios potenciais e algumas opções já estão em negociação.

“Já começamos a empreitada em meio ao desafio da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e as restrições de deslocamento e funcionamento presencial das empresas. Porém, seguimos com as buscas, estudos em banco de dados virtuais e contatos e reuniões com as empresas. Nossa expectativa é de que em até dois anos tenhamos realizado a aquisição”, revelou, sem maiores detalhes, por questões estratégicas.

A contrapartida, de acordo com o executivo, está não apenas nos recursos, mas também na expertise dos investidores, todos com algum tipo de atuação e diferencial nas áreas pleiteadas pela empresa.

“Trazemos flexibilidade para a transação e compromisso com a história criada pelos fundadores. Estamos confiantes que a junção da expertise e capital internacional com uma história de sucesso de uma empresa de raízes brasileiras irá alavancar os resultados da companhia e afetar positivamente a economia onde a empresa está inserida, trazendo empregos e renda para a região escolhida”, completou.

Por fim, o empresário explicou que, diferentemente de um fundo de private equity, o modelo de search fund funciona com um empreendedor à frente do negócio, que assume a liderança da empresa após a aquisição de participação majoritária. Devido ao risco e complexidade da transação, o processo de aquisição pode durar até dois anos, passando por toda a busca, análise, diligência e negociação.

“O processo só será um sucesso se for uma situação de ganho mútuo, onde as duas partes estejam satisfeitas, não apenas com o capital investido, mas também com os rumos que a empresa for seguir daí adiante”, finalizou.