Brasil cai cinco posições no Ranking Mundial de Competitividade Digital

País está em 57º lugar, dos 64 analisados

1 de dezembro de 2023 às 0h24

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O Brasil apresentou poucos destaques positivos, como produtividade em pesquisas de P&D (7º) e robótica em educação e P&D (17º) | Crédito: Adobe Stock

Mais uma vez o Brasil é uma decepção no Anuário de Competitividade Digital do IMD, que conta com a parceria técnica do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral (FDC). Entre as 64 nações analisadas, o País está em 57º, mesma posição que ocupou nos anos de 2018 e 2019, e teve queda em todos os fatores em relação ao ano passado, quando conquistamos a posição de número 52 entre 63 nações analisadas.

O estudo leva em consideração a capacidade e a prontidão das economias mundiais para incorporar novas tecnologias digitais que podem impactar a produtividade econômica, o crescimento dos países e das organizações.

Os Estados Unidos retomaram a liderança do ranking, após terem perdido a posição no ano passado, seguidos de Holanda (2º), Singapura (3º), Dinamarca (4º) e Suíça (5º). As últimas posições foram ocupadas por Botswana (60º), Argentina (59º), Colômbia (62º), Mongólia (61º) e Venezuela (64º).

Conforme o diretor do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da FDC, Hugo Tadeu, o desempenho do Brasil no ranking não melhora porque as condições estruturantes não evoluem o suficiente para competir com os primeiros colocados.

“Temos dois pontos para analisar em relação à posição no ranking. Os países que ocupam as primeiras colocações continuam melhorando a sua pontuação, seguem investindo de maneira estruturada e avançando. Então, estamos perdendo em termos comparativos. Também estamos perdendo em termos absolutos. O desempenho do Brasil caiu na maioria dos pontos analisados, o que nos coloca em pior posição em relação a nós mesmos nos últimos anos. Os nossos fatores estruturais não mudaram, então os nossos resultados não podem melhorar”, explica Tadeu.

O Brasil apresentou poucos destaques positivos, como o total de gastos públicos em educação (12º), representatividade feminina em pesquisas científicas (17º), produtividade em pesquisas de P&D (7º), robótica em educação e P&D (17º) e uso de serviços públicos on-line pela população (11º) são destaques positivos.

Por outro lado, a experiência internacional da força de trabalho (63º), habilidades tecnológicas (62º) e estratégias de gestão das cidades para apoiar o desenvolvimento de negócios (61º) estão entre os piores resultados brasileiros.

“O relatório é reflexo dessas condições. Tem um primeiro dado, o desempenho das empresas, que não foi bom. Fica evidente que elas não têm discutido inovação e tecnologias digitais de forma estruturada. Quando cruzamos o Ranking de Competitividade Digital com outras pesquisas, como, por exemplo, o relatório sobre maturidade digital das empresas brasileiras, que realizamos com a PwC, é possível compreender porque somos pouco competitivos. Esse estudo mostra que, no Brasil, além de baixa – três pontos em seis possíveis – a transformação digital é extremamente concentrada nas grandes empresas”, pontua.

Brasil precisa cuidar das pessoas para ganhar competitividade digital

Os desafios para o Brasil não são poucos e o estudo demonstra a necessidade da criação de um plano estratégico de longo prazo, tanto na perspectiva de governo quanto das organizações. Temas relacionados às necessidades de financiamento para o desenvolvimento tecnológico, revisão do ambiente regulatório, uso correto de dados, formação de equipes com novas habilidades para o digital e novos talentos devem estar na pauta.

Segundo o documento, é urgente pensar em talentos e na formação de pessoas para a transformação digital. Entre os temas importantes para uma agenda de desenvolvimento, estão a revisão dos resultados de rankings internacionais como o teste de PISA, a demanda por maior inserção internacional e por publicações científicas, o aumento de gastos nas agendas de treinamento de empregados, uma revisão na legislação para novos negócios, redução dos custos de capital para incentivar o digital e a busca por novos modelos de negócios ágeis.

“O foco deveria estar na formação de capital humano, antes do potencial uso de tecnologias digitais. As experiências internacionais mostram isso. Existe um fluxo de gente entre países para estudar tecnologias e engenharias do qual o Brasil não faz parte. Outro ponto importante é que precisamos reduzir o custo do capital. Muitas empresas estão levando os seus departamentos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) para outros países que dão incentivos. Em resumo, precisamos de uma mudança de mentalidade. O P&D aparece na última linha do balanço das empresas, denotando a falta de importância dada ao desenvolvimento tecnológico e inovação e que ele pode ser cortado a qualquer momento”.

Crédito: Carol Reis

Apesar das grandes dificuldades, o pesquisador aponta como fatores positivos, além dos quesitos em que o Brasil melhorou, como o número de publicações científicas e a crescente participação das mulheres nos meios de pesquisa e desenvolvimento e como gestoras de empresas, casos exemplares em que o País conseguiu conjugar esforços públicos e privados que resultaram em referências mundiais em desenvolvimento tecnológico e digital.

“Para surfarmos na economia do conhecimento, precisamos fazer o dever de casa. Sabemos fazer isso e o agronegócio é prova disso. Voltemos a 1974, com a criação da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Os melhores aviões do mundo são da Embraer (Empresa Brasileira de Aviação). O setor financeiro brasileiro é um dos mais tecnológicos e eficientes do mundo. O Banco Central do Brasil (BCB) é um indutor com o Lift Lab (Laboratório de Inovações Financeiras Tecnológicas), de onde saiu o Pix, o conceito de rede de aplicativos dos bancos e o Real Digital (Drex). A mensagem é simples: gestores públicos e privados precisam gerar uma agenda de Estado para investir estrategicamente em desenvolvimento, tecnologia e formação de mão de obra”, completa o diretor do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da FDC.

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