Compaixão nos negócios

7 de fevereiro de 2023 às 0h28

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Laydyane Ferreira*

Eu queria contar para vocês hoje de uma maneira simples como a compaixão está sendo utilizada no mundo dos negócios e como ela quebra várias crenças em relação à nossa maneira de pensar sobre felicidade.

Durante a pandemia fui chamada para fazer um Programa de Liderança numa empresa com o tema da Felicidade. Para o programa ser aprovado pela diretoria, foi necessária uma apresentação sobre os temas trabalhados e um entendimento melhor sobre o tema Felicidade nos Negócios, já que ainda é um tema muito novo para a maioria das empresas e também para nós, estudiosos e pesquisadores no tema.

Um dos diretores, muito interessado por sinal, me perguntou: “Como vamos falar de felicidade no meio da pandemia onde as pessoas estão morrendo e há muita tristeza envolvida”?

Foi aí que colaborei para quebrar uma grande crença envolvida na Psicologia Positiva e no nome Felicidade. Dentro da consciência da Felicidade Interna Bruta e também dentro de várias linhas de estudo sobre Liderança positiva a compaixão é uma das principais bases para geração de emoções positivas.

E, trazendo a origem da palavra, a palavra compaixão vem do latim Compassione que significa “sofrer com”. Então, podemos perceber que uma das aliadas da felicidade é tristeza.

O guru da Felicidade Tal Bem Shahar em suas exposições na mídia e nos seus cursos sempre fala desta importância de deixar a tristeza entrar. Quando aceitamos a tristeza, colocamos possibilidade de gerar mais ainda emoções positivas a partir da nossa compreensão do estado emocional.

Quando compreendemos a dor do outro, trazemos a consciência da interdependência (que é um atributo da espiritualidade) e agimos para colaborar para a eliminar o sofrimento. Importante ressaltar que é diferente de empatia, que pode incluir compartilhar as alegrias do outro e também o seu sofrimento e ser intelectual e sofrer projeções da dor do outro.

Vamos entender na prática?

Você vê uma pessoa sofrendo por não conseguir fazer as entregas da sua função dentro da empresa. Na empatia, você entra no sofrimento e vai ajuda-la a fazer as entregas, por exemplo. Na compaixão, você colabora para achar a causa do problema, trazendo mudanças de regras de negócio ou fazendo uma bela de uma análise de causas do processo para cessar o sofrimento. E em uma opinião vivencial, eu arriscaria a dizer que a empatia pode ser tóxica e fomentar comportamentos destrutivos como abafar um determinado problema crítico de processos que pode virar um acidente depois.

Segundo a Dra Paula Arantes, Neurorradioligista do Hospital das Clínicas da USP, a compaixão ativa algumas áreas cerebrais de circuitos diferentes, em relação à empatia. Quando somos compassivos, há mais engajamento social e também o nosso corpo recebe vários hormônios do bem-estar, destacando-se a ocitocina, que colabora para a saúde mental e aumento da imunidade dos indivíduos.

A compaixão ajuda na redução do estresse e sua tem como princípio a autocompaixão que é a observação e entendimento do seu próprio estado emocional, segundo Kristin Neff, pesquisadora e especialista do tema. E já que estamos falando de estresse e saúde mental, segundo a OMS, a cada US$ 1 investido em tratamento intensivo para transtornos mentais comuns, como depressão e ansiedade, há um retorno de US$ 5 em melhoria da saúde e produtividade.

A autocompaixão é uma ferramenta muito poderosa para lidar com emoções difíceis e pode nos libertar do ciclo destrutivo de reatividade emocional como por exemplo a libertação de uma liderança tóxica, gestão e planejamento de metas com foco incompatíveis com a capacidade produtiva, implementação da cultura da colaboração que envolve autoliderança e decisões do direção da empresa que podem colocar em risco as práticas de governança da organização.

Ao redor do mundo, podemos citar Congressos que envolvem o tema como o Business Retreat de Plum Village, um centro de educação budista, que trabalhou a compaixão para o público de negócios, sem viés religioso e com de práticas de consciência. Lá os participantes de negócios (muitos níveis C-level, inclusive) lavavam pratos, banheiros, cuidavam do jardim e da comida. Eles provocaram a consciência através da ação, ou seja, fizeram os participantes sentirem a consciência de se executar todas as atividades e perceber a nobreza do servir nas pequenas coisas.

Não precisaremos sofrer o tempo todo para gerar a compaixão e usar atributos como qualidade de presença, tempo de qualidade numa conversa e esforço para entender o lado do outro, pode ser um super exercício de compaixão, gerando a tão sonhada segurança psicológica nos negócios, tema super atual nas agendas das lideranças e próxima pauta da nossa coluna.

Até breve!!!

*Diretora Executiva do Instituto Gaki, organização especializada em consultoria e treinamentos com foco em Educação Corporativa, Serviços de Gestão, RH e Projetos de Impacto ESG. É também podcaster do Propósito na Prática, Palestrante, Trainer, Professora e Consultora Organizacional.

* Diretora-executiva do Instituto Gaki, organização especializada em consultoria e treinamentos com foco em Educação Corporativa, Serviços de Gestão, RH e Projetos de Impacto ESG. É também podcaster do Propósito na Prática, palestrante, trainer, professora e consultora organizacional.

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