Construtoras revitalizam espaços públicos em prol do lazer e da convivência

Empresas na capital mineira investem em melhorias de praças e ruas próximas aos seus empreendimentos

31 de janeiro de 2024 às 6h00

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Conceito de placemaking será adotado pelo grupo EPO na rua Ipê Rosa, no Vale do Sereno | Crédito: Perspectiva/EPO

Fazer da rua a extensão da própria casa e ocupar espaços públicos. Esta é a aposta dos novos empreendimentos de construtoras mineiras que têm seguido o conceito de placemaking, em busca de uma melhora no ambiente urbano, tendo como foco as pessoas. Revitalização de espaço, conclusão de obras inacabadas ou construções a partir do zero estão sendo entregues à população, com capital privado, como contrapartida dos empreendimentos comerciais ou residenciais, de forma a oferecer para a comunidade do entorno dos empreendimentos mais lazer e convivência. 

O conceito não é novo. De acordo com o arquiteto e urbanista Alexandre Nagazawa, remonta da década de 1960. E é um movimento que vai contra a espaços fechados, cercados, individualizados e exclusivos. Porém, na visão do urbanista, o que tem acontecido é que as empresas entenderam a importância de dar uma contrapartida para a sociedade. “A gente via isso acontecer como uma proposta da administração pública. Belo Horizonte tem vários exemplos como a rua Sapucaí, a Praça da Liberdade e a Praça da Estação. Agora, o que está acontecendo é que a iniciativa privada entendeu, finalmente, que é preciso retornar algo para a sociedade, que isso gera valor para a eles e para o mercado”, diz.

De fato, há alguns anos Belo Horizonte possui o programa ‘Adoro BH’, que é uma evolução do ‘Adote o Verde’, em que qualquer cidadão, associação, escola, empresa, indústria, órgão público ou ONG pode adotar áreas verdes e outros tipos de espaços públicos. A adoção, no caso de Belo Horizonte, pode abranger quatro formas de intervenção (manutenção; implantação; reforma; e melhoria urbana, paisagística e ambiental). As realizações são todas custeadas pelo adotante, sem qualquer gasto para a Prefeitura, que fica responsável pela aprovação do projeto, acompanhamento das obras e custos como iluminação e água.

Para a gerente do programa da Prefeitura, Kênia Costa, este tipo de atitude contribui com a geração de uma consciência de que o que é do coletivo, pode e deve ser cuidado por todos. “A Prefeitura faz a parte dela, mas se a sociedade civil puder agregar valor àquele espaço por meio da manutenção, de uma reforma, de uma requalificação do espaço, ou implantação de um mobiliário, ou equipamentos que venham agregar valor para o uso coletivo, traz uma sensação de pertencimento, cuidado e acolhimento com o cidadão morador e até para o turista”, diz.

Ela defende que a sociedade precisa aos poucos entender que o que é de todos é preciso ser cuidado por todos. “O espaço bem tratado dá uma sensação de bem-estar, de uma saúde mental mais leve, as escolas se apropriam do espaço podendo fazer atividades lúdicas e externas, uma educação para além dos muros. Ao ocupar estes espaços, ao humanizá-los em parceria, a gente consegue somar esforços”, comenta. De acordo com a gerente, hoje em Belo Horizonte há quase 500 espaços públicos adotados pela iniciativa privada.

Grupo EPO intervirá em espaços na cidade de Nova Lima

O grupo EPO, empresa que atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário mineiro, é uma dessas construtoras que têm trabalhado cada vez mais nesse conceito. Com a ideia de melhorar o ambiente urbano, a construtora está transformando uma rua de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em um espaço de maior convívio social.

No caso dos empreendimentos da EPO, o projeto consiste na revitalização de um trilha e criação de dois espaços públicos. A primeira obra em andamento é a da rua Ipê Rosa, no Vale do Sereno, onde estão construindo dois empreendimentos residenciais, o Brisa e o Luar. 

Além da iniciativa da rua Ipê, há um projeto em desenvolvimento que transformará o Vale do Sereno em um bairro “caminhável”. O projeto está sendo pensado para atender o conceito de bairro de 15 minutos, deixando os moradores mais perto de tudo. É formado por espaços bem estruturados com travessas, calçadões e ruas mais vivas, com intervenções artísticas urbanas compondo o cenário. 

Outra proposta da empresa é a criação do Boulevard das Acácias, um street mall que propõe a construção de um amplo calçadão, reunindo empreendimentos comerciais, de modo que as fachadas se encontrem por meio de um tipo de praça contínua em frente aos edifícios.

Por último, também está prevista a revitalização das trilhas ecológicas que circundam o Vale do Sereno, que possuem caminhos com uma mata exuberante, de aproximadamente 40 mil m²  no entorno. A trilha vai ser composta por córregos, cascatas, sinalização, passarelas, mirantes e replantio de espécies nativas em algumas áreas, com rondas diárias em todo o trajeto. 

“No caso da rua Ipê, estamos aproveitando que a rua é sem saída e que os dois prédios possuem entrada nela para fazer daquele espaço um espaço de maior convivência. Temos no grupo a missão de inovar para melhorar vidas e é isso que estamos propondo com todo este projeto”, comenta o diretor de novos negócios do grupo EPO, Guilherme Henrique Pimentel.

Ele explica que assim como um empreendimento, os projetos são apresentados na Prefeitura e adaptados, caso haja exigências, para que sejam aprovados. Após a construção, a manutenção e conservação ficará a cargo da sociedade civil organizada, que neste caso, é a Associação de Moradores da região. “Os moradores pagarão uma espécie de taxa para a associação manter e organizar o espaço”, explica.

Prefeitura de Belo Horizonte incentiva adoção dos espaços 

Em Belo Horizonte, a Praça das Crianças (praça Arquiteto Ney Werneck), no bairro Belvedere, é um dos espaços mais recentes adotados e entregue à população. Em fevereiro do ano passado, a revitalização realizada por um grupo de empresários concluiu as obras e entregaram o espaço para população totalmente revitalizado. Coube ao empresário Gabriel Pentagna, da Pentagna Incorporadora, fazer o aporte financeiro para a reforma e junto com os lojistas do empreendimento Pátio Belvedere, também idealizado pela empresa dele, viabilizar o projeto.

Crédito: Rafael Torres/Pentagna Incorporadora

Quem considera o exemplo um case de sucesso é a presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Cássia Ximenes. “É um caso icônico em Belo Horizonte. Eles fizeram iluminação, trocaram os brinquedos, reformaram a praça toda. Tudo com verba privada para que a população pudesse usar”, relembra. 

Para ela, uma entrega importante para a população permite que essas pessoas façam uso dos espaços públicos de uma maneira mais real. “Muitas vezes existe aquele espaço, aquela praça, mas ninguém entra, ninguém vai, tem problema de segurança, brinquedos quebrados, aparelhos de ginástica que não funcionam. Enfim, às vezes, o espaço público é colocado, mas não existe uma manutenção ou nem verba para isso”, comenta.

Ela explica que além do reaproveitamento dos espaços existentes há as entregas de outros espaços, como é o caso de Nova Lima. “Muitas vezes, para a aprovação de novos empreendimentos, as prefeituras exigem contrapartidas e essa contrapartida, muitas vezes, são estes espaços. Está havendo uma repaginação, uma revisitação desse conceito e, agora, virou uma tendência, uma moda mesmo”, completa Cássia Ximenes.

Crédito: Carlos Olímpia/CMI-Secovi

Além disso, a presidente da CMI analisa que a região Centro-Sul da Capital, mais especificamente o Belvedere e os bairros de Nova Lima, na divisa com Belo Horizonte, atraiu muitos empreendimentos comerciais e está havendo uma necessidade de atrair mais consumidores para estas regiões que antes tinham uma vocação mais esportiva ou residencial. “Os lojistas querem dar à população mais motivos para estar ali. Querem fazer daquele espaço, um lugar que as crianças peçam para os pais levarem. Uma praça utilizável e utilizada, em que qualquer hora que você chegue lá há pessoas utilizando”, comenta.

Quem concorda com a opinião de Cássia Ximenes é o empresário Gabriel Pentagna. Com dois centros comerciais já inaugurados e três por inaugurar no bairro Belvedere, as ações de contrapartida, de acordo com ele, já fazem parte dos projetos da empresa. “As obras valorizam o entorno do empreendimento e criam um posicionamento positivo para nós”, pontua.  

Motivado pelas revitalizações de sucesso, ele propôs uma Associação Comercial da região que contribuirá mensalmente com uma pequena verba para propagar os espaços, manter e trazer um esquema de segurança de última geração. “Nossa ideia é fazer do bairro um bairro monitorado, mitigando a violência. Nossa expectativas é que 200 lojistas se associem e outros malls entrem na associação”, completa.

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