Contratação de PCDs ainda gera desconforto às empresas

Apenas 28,3%, das 45 milhões de pessoas com deficência estão empregadas

20 de janeiro de 2024 às 5h13

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É fundamental que as empresas promovam um ambiente de trabalho verdadeiramente inclusivo, promovendo o bem-estar | Crédito: Adobe Stock

Pesquisas mundiais mostram que equipes diversas aumentam a produtividade e melhoram os resultados das empresas. Mas para tornar essas equipes mais representativas, um dos gargalos mais difíceis enfrentados pelo RH é a contratação de pessoas com deficiência (PCDs).

Estudo feito pelo Instituto Identidades do Brasil (IDBR) evidenciou os impactos da diversidade no mercado de trabalho. Os dados apontam que para cada 10% de aumento na diversidade étnico-racial, acontece um salto de quase 4% na produtividade das empresas. Além disso, para cada 10% de elevação da diversidade de gênero, verificou-se o acréscimo de aproximadamente 5% na produtividade dessas organizações.

Mas se minorias sociais como mulheres e negros, por exemplo, já conquistaram alguma visibilidade e programas dedicados a eles, especialmente nas grandes empresas, os PCDs ainda têm um caminho de reconhecimento das suas possibilidades a percorrer.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), embora aproximadamente 45 milhões de brasileiros se reconheçam como PCDs, apenas 28,3% deles estão empregados.

A legislação brasileira é considerada avançada em relação ao que acontece no mundo. De acordo com o art. 93 da Lei 8.213/91, a empresa que possuir 100 ou mais funcionários registrados já está obrigada à contratação de pessoas com deficiência.

A cota de contratação para até 200 funcionários é de 2%

  • Entre 201 – 500 funcionários: 3% deve ser PCD
  • Entre 501 – 1.000: 4% deve ser PCD
  • De 1001 em diante: 5% deve ser PCD

Em casos de empresas que possuem matriz e filiais, serão considerados todos os funcionários para verificar se a empresa tem a obrigatoriedade.

Segundo a especialista em saúde e segurança do trabalho e CEO da Moema Medicina do Trabalho, Tatiana Gonçalves, muitas empresas adotam o discurso de que “não há trabalhadores disponíveis para a vaga” por comodismo ou má-fé.

“Eles existem, mas eles não têm oportunidade. A maioria das vagas é para cargos ‘chão de fábrica’, no máximo auxiliar administrativo. Os recrutadores precisam mudar a postura. Todo colaborador PCD tem todos os direitos garantidos como todos os outros funcionários, ou seja, jamais poderá sofrer discriminação por conta da sua deficiência. A empresa tem a obrigação de garantir que o funcionário tenha um trabalho acessível”, destaca Tatiana Gonçalves.

Além de cumprir cotas, é fundamental que as empresas promovam um ambiente de trabalho verdadeiramente inclusivo, que atenda às necessidades dos PCDs e promova o bem-estar de todos os funcionários. Não basta apenas contratar; é preciso investir em acessibilidade e eliminar barreiras para que os PCDs possam contribuir plenamente.

Para que a contratação e o processo de inclusão de PCDs sejam eficazes, a empresa precisa preparar a estrutura física e conscientizar e capacitar as equipes que vão receber o novo colega. A Norma Técnica Brasileira 9050 (NBR-9050) descreve as obrigações das empresas do ponto de vista da infraestrutura. Já no campo da gestão de pessoas, algumas ações são fundamentais:

  • Realizar palestras de informações e sensibilização em treinamento para todos os setores;
  • Promover ações que promovam relacionamentos saudáveis com PCDs entre os funcionários;
  • Buscar apoio personalizado de organizações especializadas em inclusão de PCDs;
  • Promover conversas sobre o tema com palestrantes PCDs para educar a empresa e combater o preconceito.

“Um agravante é que muitas empresas não possuem toda a estrutura física, bem como capacitação profissional para receber esse público. Precisaríamos ter pessoas com habilidades em libras, banheiros adaptados, espaços adequados, rampas de acessos e outros. E, quando não temos tudo isso, ficamos limitados a um público reduzido para contratação e suscetíveis a multas trabalhistas”, explica a gerente de Recursos Humanos da Confirp Contabilidade, Rose Damélio.

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