Controle da Covid anima organizadores de eventos

Volta das reuniões sem limite de público e taxa de desemprego em baixa estão entre os fatores que geram otimismo

4 de fevereiro de 2023 às 0h23

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Operação do antigo Marista Hall, fechado antes da pandemia, foi assumido pelo grupo Chevals e espaço agora se chama Arena Hall | Crédito: Divulgação

Dois mil e vinte e três chegou com um novo governo – mais propenso a valorizar as atividades culturais – a Covid-19 controlada, índices de desemprego em queda e com as pessoas com muita vontade de se reunir. Esse cenário anima um dos setores que mais sofreu ao longo dos últimos três anos: o de eventos.

A volta das reuniões sem limite de público e sem o uso obrigatório de máscaras animam produtores de todos os perfis. Dos seminários médicos aos grandes concertos de rock, todos têm um público garantido ávido pela oportunidade do encontro. As agendas montadas ou em fase final agitam toda a longa cadeia produtiva dos eventos que sai da organização e do espaço escolhido para a execução, passa pelo pipoqueiro, alcança as gráficas e vai até as companhias aéreas, serviços de transfer e transporte de pessoas e equipamentos, entre muitas outras atividades e profissionais.

De acordo com o consultor de turismo de negócios e eventos, Hernani Castro, 2022 foi um ano de recuperação com resultados muito bons e o novo ano começa com excelentes perspectivas.

“No ano passado cumprimos todos os chamados ‘eventos de calendário’. Temos uma perspectiva muito promissora para 2023. Não vejo obstáculos para que isso aconteça. Toda a infraestrutura da cidade está à disposição e o número de destinos alcançados pelos voos saídos de Confins está aumentando. A Secult (Secretaria de Estado de Cultura e Turismo) está trabalhando muito, com novos projetos como a ‘Liberdade mora em Minas’ e 2023 é o ‘ano da criatividade’. A Belotur (Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte) vai realizar a primeira Conferência Municipal de Turismo e o Primeiro Plano Municipal de Turismo. Ao mesmo tempo, a iniciativa privada está muito engajada e a ocupação hoteleira crescente. Acredito que vamos voltar ao mesmo patamar de eventos anterior à pandemia”, aponta Castro.

Para o sócio-diretor da Central dos Eventos – plataforma que trabalha em diversas áreas como divulgação, produção, venda e distribuição de ingressos para diferentes eventos – Júlio Ramos Clementino, depois de mais de dois anos em que o setor ficou parado e praticamente sem ajuda do poder público, o ano de 2023 promete ser de recuperação e, embora os eventos híbridos continuem sendo uma opção, o presencial é, disparado, a preferência do público.

“O segundo semestre de 2022 foi muito bom e este ano promete ser ainda melhor. As pessoas estão com saudades de sair de casa, mas precisamos entender que nem tudo é fácil. Os custos subiram muito, em alguns casos mais de 30%, e não conseguimos repassar para o preço dos ingressos. Realizamos muitos eventos populares e entendemos que muita gente precisa abrir mão de outras coisas para poder ir a um espetáculo e nós respeitamos muito isso. Apesar do desemprego ter diminuído, os salários continuam defasados”, destaca Clementino.

Clementino estima um mercado aquecido para o setor em 2023 | Crédito: Divulgação

Espaços

Divulgada como a mais moderna arena multiúso da América Latina e com inauguração marcada para 25 de março, a  Arena MRV – novo estádio do Clube Atlético Mineiro – promete ser o espaço para eventos que faltava em Belo Horizonte. Instalada no bairro Califórnia (região Oeste), o empreendimento, que custou R$ 1 bilhão, tem capacidade para receber 46 mil pessoas com estrutura audiovisual e de conectividade de última geração.

Ainda durante a construção passaram por lá cerca de 60 mil visitantes. Após a inauguração, os interessados terão à disposição tour, museu e espaço para shows, feiras, exposições, convenções, além da sua razão de existir: o futebol.

“É sempre importante ressaltar que o carro-chefe da Arena MRV é o futebol. Nossa renda principal virá do futebol, patrocínios, venda de naming rigths, estacionamentos. Os eventos são um complemento de receita. Em uma estimativa conservadora, a previsão é que eles representam um incremento de 20% das receitas da Arena MRV”, explica o diretor administrativo-financeiro da Arena, Thiago Maia.

Enquanto o Atlético usa o primeiro semestre para fazer os últimos ajustes na Arena e começa a programação oficial apenas no segundo semestre, quem já abre o calendário com força total é a nova Arena Hall, novo nome do antigo Marista Hall, na Savassi (região Centro-Sul).

O espaço que foi fechado antes da pandemia, volta por meio de um acordo de locação (valores não divulgados) fechado entre o grupo Chevals e o Marista, com prazo inicial de cinco anos, podendo ser renovado ou prorrogado.

Segundo o sócio-diretor do Chevals – que faz também a gestão do Minascentro -, Rômulo Rocha, a proposta contempla a locação e gestão direta do espaço, serviços, agenda de eventos e atrações, assim como a exploração de atividades econômicas relacionadas, tais como a exploração e gestão direta e indireta de estacionamento, bares, lanchonetes, camarotes, salas, áreas de exposição, fornecedores e parceiros, além de outras áreas e atividades a serem contempladas via concessão.

“Tivemos um 2022 muito bom no Minascentro e começamos a perceber que em Belo Horizonte existem espaços para eventos muito grandes como o Expominas BH (região Oeste), para pequenos eventos como os hotéis, e para eventos médios existe uma carência. Os que existem têm perfil de teatro, muito parecidos entre si, como o Palácio das Artes, Cine Theatro Brasil Vallourec e Sesc Palladium. Faltava um lugar médio com perfil eclético. Acontece que esse lugar existe e estava fechado: é o antigo Marista Hall. Fui atrás da administração do Marista, que fica em Brasília (DF) e fiz a proposta”, relembra Rocha.

A casa possui três pisos: o 1º conta com a recepção, galerias, bilheterias, acesso ao Teatro Dom Silvério e acessos aos 2º e 3º pisos. O 2º piso é destinado a feiras, mostras e exposições temáticas. O 3º conta com a arena destinada a eventos em geral, com capacidade de até 5 mil pessoas. A reestreia está marcada para 4 de março com um show do cantor romântico Fábio Júnior.

“Fechamos o contrato no fim do ano passado, mas como o lugar ficou fechado durante muito tempo, estamos fazendo pequenas intervenções e regularizando todas as licenças e alvarás. Quando procuramos o pessoal do Marista, eles estavam reticentes e queriam que o empreendimento tivesse um viés social. Eles se encantaram com o projeto 3M: Minascentro, Mercado Central e Mercado Novo. Agora o Marista é o  quarto M. Eles vão formar um circuito nos moldes do Circuito Praça da Liberdade. Temos que cuidar da base da região, marcada por uma pobreza muito grande. Estamos conversando com a Prefeitura (PBH), instituições de apoio social e entidades de classe para um esforço conjunto”, completa o sócio diretor do Chevals.

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