Convulsão de junho de 2013 é revista

Yan Rego lançou o livro de contos “Era uma vez um mês seis”

3 de fevereiro de 2024 às 5h13

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Crédito: Yan Rego/Divulgação

O escritor, professor e roteirista carioca Yan Rego se sentia rancoroso acerca dos acontecimentos de junho de 2013, seja pela sua experiência pessoal, seja pelas análises feitas posteriormente do período. E, desse seu sentimento, surge o livro de contos “Era uma vez um mês seis”, publicado pela Editora Paraquedas, selo de publicação assistida da Editora Claraboia. O livro possui orelha do escritor e jornalista Ronaldo Bressane e quarta capa da escritora Giovana Madalosso.

A obra foi lançada em novembro de 2023 no Rio de Janeiro, na Livraria Da Vinci, no dia 28; e em São Paulo, na Ria Livraria, no dia 30. Além disso, Yan Rego participou de uma mesa de debate na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em novembro, dentro da programação da Casa Pagã, no dia 25, às 20h. A mesa conta com o tema “Lugar de fato: a literatura que habito”. Também participaram da conversa os escritores Renato Bueno, Ana Sophia Brioschi e Letícia Bassit. A mediação foi de Maria Carolina Casati.

Já conhecido pelo livro de contos “Agá”, que venceu o segundo lugar no Prêmio Biblioteca Digital 2021, o autor conta que as principais motivações de “Era uma vez um mês seis” eram a sua própria inquietação com a questão racial (ou, em suas palavras, o “a perdidez do pardo”) e com a violência política, esteja ela dentro ou fora das organizações.

Entretanto, ainda que parta de discussões e acontecimentos reais, a obra apresenta cunho ficcional.

“Recorri à ficção porque me parece que há vozes que não foram levadas a sério como deveriam, mas, principalmente, porque há vozes que não foram ridicularizadas e esculachadas como deveriam”, ressalta.

Nesse sentido, ao longo do livro, o leitor é convidado a adentrar uma atmosfera do absurdo, que provoca ao localizá-las dentro de situações como o discurso tendencioso e violento do apresentador de um programa de televisão que relata as manifestações — caso do conto “A Voz de Deus” — ou, até mesmo, de apresenta os atravessamentos desta dentro de contextos mais pessoais, como no conto “V de viu”.

Olhar crítico

Rego, porém, não traz uma abordagem panfletária. Para ele, “falar de política e raça com respostas prontas e idealizadas me parece uma grande sacanagem intelectual”. No entanto, “Era uma vez um mês seis” se destaca pela experimentação com a linguagem e construção narrativa, que revelam, por si só, um olhar crítico e que convida à reflexão.

Nascido em 1993, no Rio de Janeiro, Yan Rego atua no ensino de crianças imigrantes chinesas e taiwanesas. É formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP). Foi roteirista do longa-metragem “Lulinha, meu Santo!” e do curta “O nariz de Euzébio”, em fase de captação.

Suas principais referências literárias são os escritores Rubem Fonseca, Isaac Babel, Gabriel García Márquez, João Antônio, Lima Barreto, Maria Carolina de Jesus e Mano Brown. Durante o processo de escrita de “Era uma vez um mês seis”, ele comenta ter sido influenciado principalmente pelas obras “O homem de fevereiro ou março”, de Rubem Fonseca; “O sol na cabeça”, de Geovani Martins; “Malagueta, Perus e Bacanaço” e “Abraçado ao meu rancor”, de João Antônio; “Obras completas (e outros contos)”, de Augusto Monterroso; “O Exército de Cavalaria”, de Isaac Babel; e “ Dormitório”, de Yoko Ogawa.

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