Delivery e e-commerce “salvaram” a Páscoa

14 de abril de 2020 às 0h13

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Previsão era crescer 30%, mas empatar foi um grande resultado, comemora Renata Bernardi | Crédito: Divulgação

Às vésperas da data mais importante do ano para o setor – a Páscoa -, profissionais e empresas especializadas em produtos de chocolate viram o mundo desabar diante da pandemia desencadeada pelo novo coronavírus. Em março, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) previa um crescimento de 5% a 10% nas vendas em relação a 2019.

Há menos de dois meses, as empresas estavam investindo em novos produtos, na inovação de embalagens e no uso de personagens atrativos e atuais. Em 2019, foram produzidas cerca de 10 mil toneladas de chocolates para o período de Páscoa, incluindo ovos, figuras de páscoa e outros itens.

Todo esse otimismo foi por água abaixo – definitivamente – com a projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada semana passada. Considerada uma das datas mais rentáveis para o comércio no primeiro semestre, as vendas da Páscoa em 2020 devem registrar uma queda histórica de 31,6% em relação à Semana Santa de 2019, o que representaria uma perda de R$ 738 milhões. O balanço final ainda não foi divulgado pela CNC.

Criatividade – Empenho e criatividade, porém, fizeram parte da receita de muitos empreendedores para reverter, pelo menos, parte do prejuízo. Vendas on-line e delivery foram os canais principais de uma verdadeira revolução que muitos tiveram que enfrentar.

E as redes sociais o principal canal de comunicação com os clientes para garantir um doce domingo para quem está em isolamento social e para o caixa das empresas.

No bairro Mangabeiras, na região Centro-Sul, a confeitaria Fofíssimo Bolos viu o salão vazio. Atendendo apenas para entregas, o período da Páscoa se tornou uma incógnita. De acordo com a sócia da Fofíssimo, Juliana Nunes, a solução foi partir para as vendas on-line.

Para garantir a integridade dos delicados produtos, ela contratou um motoboy de confiança e não aderiu aos aplicativos de entrega por conta das taxas que podem chegar a 30% do valor de cada produto, segundo ela.

“Ano passado, não fizemos vendas on-line, então foi tudo muito novo para mim. Linkamos no nosso Instagram o número do WhatsApp e começamos a receber as encomendas por esse canal. Concentramos nossos esforços no bairro Mangabeiras e fechamos a loja de Lourdes porque não havia segurança nas ruas para trabalhar lá. Dessa forma não precisamos demitir nem contratar ninguém específico por causa das entregas na equipe direta. Tínhamos planejado a abertura de uma loja temporária em um shopping center da região, como fizemos em 2019, mas a ideia foi abortada”, explica Juliana Nunes.

A estratégia adotada foi se mostrar presente na vida dos clientes e que o chocolate não é apenas uma guloseima, mas uma forma de demonstrar carinho e presença em época de isolamento social. Todas essas dificuldades mostraram à empresária a necessidade de investir nos canais on-line.

Além disso, os próprios clientes foram indicando caminhos que poderiam ser utilizados para enfrentar a crise e, pelo menos, não ter uma regressão em relação aos resultados do ano passado.

“Vamos finalizar o site, que estava em construção, e vamos reforçar nosso trabalho na internet. Sabíamos do crescimento do e-commerce em todos os segmentos, mas agora decidimos que precisamos acelerar nesse sentido. E outras possibilidades foram surgindo. Muita gente fez a encomenda on-line e veio buscar em uma espécie de drive thru. Como temos um estacionamento grande, elas só ligavam e informavam a placa do carro. Chegando aqui, era só abrir o porta-malas, já que o comprovante de pagamento já havia sido enviado”, relembra a sócia da Fofíssimo Bolos.

Há dois anos com o ateliê de chocolates aberto formalmente e há 20 anos no segmento de chocolates, a microempreendedora individual Renata Bernardi, fundadora LaDola Doceria, também viu o rumo dos negócios mudarem com a chegada do Covid-19.

“A primeira semana foi um susto muito grande, inclusive com cancelamento de pedidos. Depois o jeito foi observar como os colegas estavam vivendo a crise e escolher uma forma de agir. Resolvemos que a nossa Páscoa seria agora. Quase toda minha venda foi para delivery e consegui repetir o resultado do ano passado, o que foi uma grande vitória. A expectativa era crescer 30%, mas conseguir empatar foi um grande resultado”, comemora Renata Bernardi.

Um dos grandes desafios enfrentados foi a questão das embalagens, a delicadeza dos ovos de Páscoa exigia algo especial e não havia tempo para o desenvolvimento. A saída foi a própria artesã fazer as entregas. Sem site, os canais de venda também foram o Instagram e o WhatsApp. E, surpreendentemente, foi possível, até, conquistar novos clientes.

“A estética tem uma grande importância para o chocolate artesanal e eu não tinha embalagens adequadas. Então eu mesma fiz as entregas, o que me levou a até rejeitar algumas encomendas por falta de tempo. Não deixei que o isolamento me separasse dos meus clientes e propus que eles não deixassem que isso acontecesse entre eles e seus amigos e parentes. Recebi até encomendas de outras cidades e estados para fazer entregas aqui em Belo Horizonte. Foi uma forma que as pessoas acharam para se fazer presentes. Poder participar disso foi muito gratificante”, completa a empresária.

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