Aumento no número de lojas virtuais no País foi em torno de 40% em um ano | Crédito: Pixabay

Diz a sabedoria das redes sociais que nenhum diretor de novos negócios ou head de inovação foi capaz de promover a digitalização dos negócios como fez a Covid-19 em menos de seis meses. A 6ª edição da pesquisa “Perfil do E-Commerce Brasileiro”, realizada pela PayPal em parceria com a BigData Corp, revelou o extraordinário crescimento do e-commerce brasileiro.

Segundo a publicação, a expansão do e-commerce no País bateu um importante recorde em 2020, totalizando mais de 1,3 milhão de lojas on-line, com um ritmo de crescimento de quase 40% de agosto de 2019 até agosto de 2020. Essa forte expansão é um indicador do grande esforço que negócios de todos os portes têm feito para alcançar o seu consumidor em plena pandemia. Em agosto do ano passado, o Brasil tinha 930 mil lojas on-line.

A migração em massa de pequenos negócios para o comércio eletrônico impressiona. Se, em 2019, 26,93% dos e-commerces eram de pequeno porte e faturavam até R$ 250 mil por ano, hoje eles passaram a representar quase metade das lojas on-line (48,06%).

De acordo com o diretor de Desenvolvimento de Negócios do PayPal Brasil, Thiago Chueiri, existe um legado deixado pela pandemia para o comércio virtual no mundo e, especialmente, em economias menos maduras como o Brasil. O e-commerce já é responsável por 8,48% do total de sites na internet brasileira. Essa fatia não passava de 2,65% há cinco anos.

“Quando o comércio físico reabrir – em sua totalidade – o e-commerce não voltará ao cenário pré-pandemia. Fica como legado o entendimento real sobre a necessidade do omnichannel. Embora ele já existisse, nem todo mundo usa toda a potencialidade dos canais. Outra das heranças dessa pandemia é um cenário muito mais intimista. As redes sociais são um canal para fortalecer essa relação entre marcas e consumidores. O empreendedor tem que entender a preferência do usuário. O que vimos também é que o usuário está mais sensível. Se um bom serviço é prestado, elogios são feitos. Isso era mais difícil antes. Mas para serviços mal prestados o usuário está com menos paciência. E, por fim, o índice de sites responsivos crescente, isso significa empreendedores mais preparados para atender o usuário. Isso é extremamente importante porque para grande parte dos brasileiros o único canal digital é o celular”, pontua Chueiri.

Consolidação – Além da expansão acelerada, o e-commerce no Brasil segue amadurecendo: 55,68% já adotam meios eletrônicos de pagamento, o que representa um aumento de 5,4 pontos percentuais em relação ao estudo de 2019. Da mesma forma, 76,55% das lojas on-line se encontram em uma das 211 plataformas de e-commerce mapeadas, aumento de 2,52 pontos percentuais sobre o resultado do ano passado.

Minas Gerais ocupa o terceiro lugar no ranking de concentração dos e-commerces no Brasil, com 6,2%; atrás de São Paulo, com 58,95%; e Rio de Janeiro, com 6,93%.

Segundo o CEO e fundador da BigData Corp, Thoran Rodrigues, para enxergar a presença do pequeno empreendedor no e-commerce brasileiro é preciso avaliar quantos e-commerces não têm sequer um único empregado: pela primeira vez este ano eles são maioria, ou 52,63%.

“Quando o corte são as lojas on-line com até cinco empregados, o universo desses pequenos negócios abrange mais de 3/4 do total de comércios eletrônicos. Isso quer dizer que temos ainda muito a caminhar no e-commerce brasileiro. Ao mesmo tempo, é natural que as empresas se concentrem em São Paulo pelo próprio volume de consumidores e os players logísticos que acabaram se implantando lá. De outro lado, a presença em marketplaces indica a preocupação dos empreendedores em atrair consumidores para as suas lojas. Os marketplaces são vistos como um canal de atração”, afirma Rodrigues.

Regime especial beneficia atividade

A pandemia do novo coronavírus trouxe uma nova dinâmica econômica para muitas empresas brasileiras. As empresas com potencial para desenvolvimento de negócios on-line tiveram um grande estímulo por conta da quarentena e puderam viabilizar operações em vendas por canais digitais.

Para estes negócios, e especialmente para os que realizam a maior parte de suas vendas para fora do estado de Minas Gerais, um regime especial pode ser adotado com foco na redução da carga tributária. Esta tem sido uma das soluções apresentadas pela Assescont Assessoria Contábil, de Belo Horizonte, a seus clientes do Estado.

“Em um contexto geral, a ideia deste regime especial é manter os contribuintes que estão no Estado e atrair novas empresas para Minas Gerais, por meio de incentivos fiscais e redução da carga tributária estadual. Assim, avaliamos o nicho de mercado e a estratégia de nossos clientes e identificamos que alguns tinham o perfil necessário para a adesão aos benefícios deste regime”, explica o sócio-diretor da Assescont, Pedro Brum.

A redução de carga tributária é relativa ao recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), conforme as operações da empresa. Os benefícios para as empresas instaladas em Minas Gerais podem chegar ao pagamento efetivo de 6% de ICMS nas vendas de produtos nacionais dentro do Estado e de 14% nas vendas de produtos importados. Já para as vendas para clientes de fora do Estado, pode variar entre 1,3% e 2%.

“Embora não seja uma novidade, notamos que a nova realidade, em função da pandemia, com empresas apostando no e-commerce, favorece a adoção deste regime especial, em um momento em que toda redução de custos é bem-vinda”, explica Brum.

Segundo o especialista, para as empresas que têm e-commerce com grande volume de vendas para clientes de fora de Minas Gerais, com faturamento acima de R$ 3,6 milhões, este regime especial pode ser uma opção, em especial para empresas do ramo de indústria e varejo (com exceção de alguns setores como indústrias de medicamentos e de ferro e aço, entre outros, constantes na lista negativa do Estado).

“É difícil mensurar um valor geral para esta redução, visto que cada segmento de atividade e cada dinâmica empresarial interfere nos percentuais reduzidos. Um de nossos clientes, um comércio varejista de acessórios, com um quadro relevante de vendas via e-commerce para fora do Estado, tem obtido reduções da ordem de 73% no recolhimento do ICMS”, afirma Brum.

De acordo com o diretor, o número de empresas clientes com perfil para a adoção do sistema dobrou em razão da quarentena. A solicitação para mudança de regime leva em torno de seis a oito meses para ser avaliada pela Secretaria de Estado da Fazenda. A concessão do benefício está condicionada à avaliação da regularidade fiscal da empresa e de seus sócios para emissão de um parecer favorável à adoção deste regime.