Participação das vendas on-line da Araujo dobrou na composição do faturamento total | Crédito: Manoel Evandro

Se praticamente ninguém ignorava o crescimento das vendas on-line como uma tendência de mercado mundial e a força das ferramentas de marketing digital, muitos ainda resistiam e achavam que, por estarem em segmentos tradicionais, poderiam adiar um pouco mais esse futuro. Mudou de ideia.

A crise sanitária e econômica desencadeada pelo avanço no novo coronavírus pelo planeta fez com que o tal futuro se antecipasse e que, de uma hora para outra, passasse a ser obrigatório, para empresas de diferentes setores e portes, investir em e-commerce e marketing digital.

Às vésperas da Páscoa isso ficou ainda mais visível para as empresas do setor de alimentos. Considerada uma das datas mais rentáveis para o comércio no primeiro semestre, de acordo com projeção feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as vendas desse período em 2020 devem registrar uma queda histórica de 31,6% em relação à Semana Santa de 2019, o que representaria uma perda de R$ 738 milhões.

Para o especialista em marketing digital no setor de alimentos, Tarcísio Filho, o período de isolamento social está gerando novas necessidades que podem ser melhor aproveitadas pelas empresas atentas às oportunidades. Quem já tinha uma forte presença forte nas redes está sendo menos impactado e pode sair na frente. Sempre é tempo, porém, de fazer alguma coisa para reverter, pelo menos, parte do prejuízo.

“Muitas empresas de ramos tradicionais, como as padarias e supermercados, tinham muita confiança nos seus modelos que eram vencedores até aqui. Agora, com os consumidores em casa, tiveram que arrumar um jeito de se manter em contato com esses clientes e se mostrarem acessíveis. É certo que em uma padaria o consumo está ligado a uma experiência sensorial, mas as novas gerações já não distinguem entre o ambiente físico e o virtual. Então uma foto, uma arte ou vídeo bem produzidos podem ter o mesmo efeito sobre os sentidos”, explica Tarcísio Filho.

Preparação – As ferramentas digitais se mostram eficientes e baratas na comparação com as mídias off-line. Além de poderem ser direcionadas e segmentadas, elas devolvem informações preciosas ao empresário. O primeiro alvo deve ser sempre o público geograficamente mais próximo à empresa. Uma dica preciosa, porém, para os iniciantes, é fazer o investimento parceladamente. Um erro comum é não estar preparado para atender a demanda vinda de um disparo maciço.

“Antes de apostar no marketing digital, as empresas precisam se atentar para um ajuste dos seus processos e estoques. Pior que não vender é vender e não conseguir entregar conforme o prometido. Outro ponto muito importante é que muitas empresas não têm, sequer, um cadastro de seus clientes. Quem tiver o mínimo de estrutura vai se sair melhor quando essa crise passar”, alerta o especialista.

Delivery – A padaria Vianney, no bairro Funcionários (região Centro-Sul), é uma dessas empresas que já estava atenta ao movimento digital. Mesmo assim está ajustando seus processos e viu o futuro chegar antes do planejado.

Com o e-commerce implantado desde 2018 e delivery próprio desde 2017, a padaria viu no marketing digital as ferramentas para se manter próxima aos seus consumidores habituais e conquistar novos. Atualmente, a Vianney tem 15 mil seguidores no Instagram e 4 mil no Facebook

De acordo com a diretora administrativa da Padaria Vianney, Isabella Carneiro, o faturamento chegou a cair 70% nos primeiros dias do isolamento social e foi preciso reajustar a rota.

“Além de padaria agora somos também supermercado com produtos como cestas básicas, carnes, hortifrúti e artigos de limpeza e higiene pessoal. Em menos de 10 dias, realizamos uma mudança radical e, agora, além dos produtos de produção própria, oferecemos, também, itens de revenda e, por isso, as atividades do delivery no WhatsApp e nos aplicativos de entrega foram intensificadas. Após a primeira semana, o setor de encomendas zerou as perdas e a loja física recuperou 15% do faturamento”, explica Isabella Carneiro.

Para dar conta da demanda, foi preciso rever processos logísticos e contratar mão de obra para fazer as entregas. São os produtos básicos os mais procurados, inclusive nos itens da padaria, como pão francês, pão de batata e a rosca caseira. A medida que a Páscoa fica mais próxima e o período de isolamento se estende, porém, os produtos ligados à indulgência estão ganhando espaço.

“As pessoas estão com medo de sair de casa e nós levamos os produtos até elas. Nesse contexto que vivemos hoje, isso é mais que comodidade, é um aconchego. Temos visto os pedidos de cesta de café da manhã, por exemplo, crescendo. As pessoas não podem estar juntas, então mandam de presente umas para as outras. Estão presenteando com bolos e tortas. E os ovos de chocolate também fazem parte desse comportamento. Já temos mais de 500 encomendas até agora”, pontua a diretora administrativa da Padaria Vianney.

Páscoa – E a propósito dos ovos de Páscoa, a Drogaria Araujo também redirecionou seus esforços para o comércio virtual. Segundo a gerente de Marketing da rede, Juliana Valeriano, toda a comunicação voltada para a Páscoa já estava pronta quando a pandemia chegou ao Brasil. Nesse momento, a curva de vendas sofreu uma mudança radical e os produtos considerados supérfluos foram deixados de lado pelos consumidores.

“Nossa impressão é de que o chocolate estaria nessa categoria e logo vimos que a venda on-line poderia ser uma saída diante da mudança de comportamento do consumidor. Ele pode fazer a escolha on-line, comprar e só sair de casa para pegar na loja, inclusive no sistema drive thru, sem precisar, sequer, de sair do carro. As pessoas estão em casa, então precisam de um momento de descontração com a família, com as crianças. Nós podemos ajudar para que a Páscoa seja esse respiro através do chocolate”, pontua Juliana Valeriano.

Já há bastante tempo a rede investe em ferramentas e canais digitais e toda essa dinâmica deve ser alavancada a partir da crise do Covid-19. Do início da pandemia no Brasil até aqui, a participação das vendas on-line da Araujo dobrou na composição do faturamento total. Os percentuais não foram divulgados.

“Tínhamos um plano de expansão para o on-line robusto em 2020. Com a crise, alcançamos os números projetados para o ano todo nesses quatro primeiros meses. Vamos seguir nesse caminho porque ele é sem volta e foi acelerado pela crise. Nossa missão é levar soluções para a vida cotidiana das pessoas”, completa a gerente de marketing da Araujo.

A Lindt do Pátio Savassi está com 33% de desconto em todos os ovos | Crédito: Divulgação

Shoppings da Multiplan e Chuí aderem ao delivery

Um momento tão especial como a Páscoa deve ser celebrado de maneira doce. A comemoração será em casa e, para sua comodidade, algumas lojas do BH Shopping, Diamond Mall e Pátio Savassi estão vendendo e entregando (delivery) ovos de Páscoa com descontos que vão até 33%. Confira como será o funcionamento dessas lojas:

A Kopenhagen do Pátio Savassi e do Diamond Mall está dando 30% de desconto na compra de qualquer item de Páscoa. A entrega é por delivery e o pedido deve ser feito pelo telefone (31) 9-7145-1100. Por meio deste mesmo número, o cliente pode solicitar o catálogo de produtos.

A Lindt do Pátio Savassi e do BH Shopping está com 33% de desconto em todos os ovos de Páscoa. A compra pode ser feita pelo aplicativo Rappi.

As lojas do Verdemar do Pátio Savassi e DiamondMall estarão abertas. O funcionamento é de segunda a sábado das 6 horas às 20 horas e aos domingos das 7 horas às 20 horas.
As Lojas Americanas do Pátio e do BH Shopping estão vendendo diversas marcas. No Pátio, o cliente pode pedir pelo Whatsapp (31) 9-8389-6871 ou pelo delivery pelo site americanas.com. Já no BH Shopping, o acesso à loja é feito pelo estacionamento BH3.

A marca mineira de doces Frau Bondan, com loja no BH Shopping, também está realizando entregas. O cliente pode fazer o pedido de duas maneiras: por meio do aplicativo iFood ou através dos telefones (31) 9-9246-0026 (WhatsApp) e (31) 2515-6882, das 11 horas às 18 horas. No segundo caso, a própria loja recebe o pedido e realiza entrega na casa do cliente.

Em funcionamento no BH Shopping (piso BH) e Diamond Mall (1º piso), a Drogaria Araujo é mais uma opção para a compra de ovos de páscoa de diferentes marcas.

Shopping Chuí – A campanha “Fique em casa, mas não fique sem os nossos produtos e serviços”, foi lançada pelo Shopping Chuí, shopping popular localizado no bairro Industrial, Contagem, após decreto publicado pela prefeitura de Contagem que prevê o fechamento por tempo indeterminado de parte do comércio da cidade.

A estratégia é uma ação conjunta entre a administração do shopping e seus lojistas e tem como proposta incentivar o consumo dos produtos e serviços oferecido pelo estabelecimento e oferecer a comodidade deles serem entregues diretamente na casa de seus clientes.

Segundo a revista “Exame”, um mês após o primeiro caso da doença Covid-19 no Brasil, houve um aumento de 40% nas compras pela internet, o que confirma a assertividade neste tipo de estratégia de marketing, uma vez que as pessoas estão ainda mais conectadas no ambiente on-line.

De acordo com a gerente comercial do mal, com o isolamento social imposto pelo coronavírus, as pessoas não vão mais às lojas, por isso foi preciso apostar no serviço de entrega. O shopping criou um catálogo com os contatos dos lojistas, conectados ao perfil no Instagram das lojas.

“Em paralelo desenvolvemos uma comunicação em nossas redes sociais que divulga os principais atrativos das nossas lojas e incentiva o consumo no comércio local”. O catálogo está sendo enviado para o mailing de clientes e também divulgado nas redes sociais do shopping, juntamente com outras ações de marketing. (Da Redação)