O valor da sabedoria: Educação financeira molda o futuro de empreendedores 50+

Após dominarem as planilhas e organizarem as finanças, empresários na maturidade driblam desafios e prosperam em seus negócios

15 de novembro de 2023 às 0h27

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Crédito: Marcelo Barroso/Sebrae

“A melhor maneira de prever o futuro é programá-lo”. A declaração do palestrante e consultor econômico Rick Chester traduz a necessidade de um bom planejamento, incluindo o financeiro, para a construção de um futuro que seja compatível com as expectativas e o propósito dos empreendedores 50+.

Dados do IBGE apontam que, no 3º trimestre de 2020, cerca de 1,9 milhão de donos de negócio no Brasil estão na maturidade. Do total, 10% se concentram em Minas, que ocupa a 2ª posição no ranking, liderado por São Paulo. Ainda segundo a pesquisa, os donos de negócio nessa faixa etária apresentam algumas singularidades: se dedicam a um único trabalho, estão há mais tempo no negócio e possuem uma jornada de trabalho reduzida, dedicando parte do tempo a tarefas igualmente prioritárias, incluindo o aprendizado.

O caminho começa pela educação

Desde 2020, com o início da pandemia de Covid-19, o cenário de incertezas frente ao desemprego e aumento da inflação levou mais brasileiros a se planejarem financeiramente. Segundo estudo realizado pelo Instituto Locomotiva, em parceria com a Xpeed, escola de educação financeira da XP, 47% dos entrevistados passaram a fazer planos para o futuro em decorrência da crise. 

A pesquisa apontou, ainda, que 63% dos entrevistados afirmaram ter apenas conhecimento básico sobre educação financeira, entretanto, 90% admitiram a necessidade de serem educados financeiramente.

Para os empreendedores 50+, a relação com a educação financeira é ainda mais forte. Os profissionais necessitam de constantes aprendizados para manter o negócio em movimento, alinhados às particularidades da vida durante a maturidade.

Após consultoria financeira, o lazer virou negócio 

Maria Virgínia dominou as planilhas e organiza as finanças. Empreendedora 50+ prospera em seu negócio.
Crédito: Divulgação/Especiarias Casa Branca

Neta de italianos, Maria Virgínia Andrade (67) recorda da infância quando o assunto é gastronomia – sua mãe foi uma das grandes incentivadoras a despertar a paixão pela cozinha. Após anos de trabalho na área financeira, a profissional se aposentou e mudou com a família de Belo Horizonte para um povoado rural em Brumadinho, na região metropolitana da capital mineira. 

Após uma consultoria de 1 ano do Sebrae na cidade, planejada como um projeto com os atingidos pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho em 2019, Maria Virgínia Andrade descobriu que poderia transformar sua paixão por temperos em um complemento de renda da aposentadoria. 

Maria Virgínia Andrade somou os conhecimentos obtidos na consultoria com a ajuda da família para construir uma marca própria. A proposta, segundo a empreendedora, é levar saúde e sabor para as pessoas de forma 100% natural, criando assim a “Especiarias Casa Branca”. 

Atualmente, quando o assunto é conhecimento financeiro, Maria Virgínia Andrade domina o assunto. A profissional se reconhece como autodidata na área e conta com uma planilha de controle financeiro do Sebrae especializada em alimentação para tocar o negócio. 

“O mais importante é saber se a precificação está dentro dos gastos com matéria-prima e insumos. É primordial para o negócio essa atenção para o financeiro.”

Com as finanças no controle, a empresa já expandiu seu portfólio de produtos e, com o apoio de entidades como o Senar, Sebrae e Emater, marca presença em eventos pelo País, que respondem por 90% das vendas do negócio. 

Aos 60 anos, empresário decidiu trabalhar com o seu propósito

Maurício dominou as planilhas e organiza as finanças. Empreendedor 50+ prospera em seu negócio.
Crédito: Divulgação/MM Coworking

Após mais de três décadas no mundo corporativo, Mauricio Martins (67) decidiu, aos 60 anos, empreender com o seu propósito relacionado ao desenvolvimento social. A MM Social é uma consultoria em Belo Horizonte que gera programas para empresas, fornecedores locais e mão de obra local. 

Em paralelo à MM Social, Martins conta com um instituto sem fins lucrativos e também fundou seu próprio coworking, que começou com 16 estações coletivas de trabalho e atualmente possui estrutura completa com escritórios compartilhados, salas privativas e de reunião. 

A proposta do espaço, segundo ele, é integrar os trabalhadores com a comunidade. Para concretizar esse objetivo, os serviços são 100% gratuitos para a comunidade do Morro das Pedras, que fica próxima ao local, na região Oeste da Capital. Martins também destaca que estimula as empresas que estão instaladas no condomínio a contratar mão de obra local.

O sucesso dos empreendimentos certamente é derivado de bons hábitos financeiros. Martins abriu o primeiro negócio após já possuir reserva financeira para a família e um plano de previdência privada.

“Sempre faço cursos de aprimoramento em educação financeira. Tenho planos de estudo, já cheguei a fazer duas pós-graduações. Sigo me atualizando e mantendo a cabeça à frente do meu tempo.”

No entanto, o empreendedor destaca a pandemia como um dos maiores desafios enfrentados. “Não tinha experiência na gestão financeira durante a pandemia. Vi o coworking fechar pela metade. O que funcionou foi a parceria das pessoas, era negociar para sobreviver, reduzir custos até conseguir financeiramente estabilizar o negócio”, afirma. 

Os bons resultados só vieram novamente após mudanças estratégicas no negócio, que começou a trabalhar melhor o fluxo de caixa e o capital de giro, além de apostar em mão de obra especializada para o setor. “Como empreendedor eu aprendi que não devo fazer tudo. Trago as pessoas que saibam fazer isso comigo e dou total suporte para a empresa ser saudável financeiramente”, conclui. 

O conhecimento abriu portas para o empreendedorismo

Rose prospera em seu negócio com produtos 100% naturais
Crédito: Sara Almeida/Rose Cosméticos

Para Rose Almeida (51), a relação com os cosméticos surgiu a partir de uma necessidade e o conhecimento sempre foi visto como necessário em todas as esferas da vida. 

Formada em contabilidade, Rose Almeida sempre ouviu elogios a respeito do seu cuidado com a pele e cabelos até que decidiu compartilhar os seus “segredos”. Há cerca de quatro anos, sem recursos financeiros, surgiu a “Rose Almeida Cosméticos”, que conta com produtos à base de plantas e ingredientes 100% naturais, como gengibre, alecrim, açafrão e dolomita. 

Um dos maiores desafios enfrentados, segundo a profissional, é a barreira tecnológica. Para isso, Rose Almeida conta com a ajuda da filha, publicitária, que foi responsável por criar o site, fotografar os produtos e promovê-los na internet, que hoje, segundo a empreendedora, é responsável por cerca de 60% do faturamento.

Em relação à capacitação, o objetivo principal foi investir em cursos de vendas, mas a empresária também se atualiza em relação às finanças.

“Hoje tenho um investimento para emergências e a outra parte guardo na poupança, sempre separando as despesas pessoais das profissionais.”

Atualmente, a empreendedora está entre os dez finalistas da Expo Favela Minas, e agora seguirá para o evento nacional, que acontecerá em dezembro na cidade de São Paulo.

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